Irã teve ajuda estrangeira no programa nuclear, afirmam diplomatas

Teerã busca assessoria de indivíduos, e não de governos, segundo relatório da AIEA a ser divulgado

Reuters

07 de novembro de 2011 | 18h27

Ahmadinejad inspeciona instalações nucleares. Foto: Governo do Irã

 

VIENA - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) prepara um relatório que deve expressar a preocupação de que o Irã teria se beneficiado de assessoria estrangeira no desenvolvimento de tecnologias que podem ser usadas na produção de armas nucleares, disseram autoridades ocidentais na segunda-feira, 7.

 

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Teerã "está claramente tentando contatar cientistas nucleares mundo afora", disse um diplomata ocidental que trabalha na AIEA, em Viena, sugerindo que Teerã estaria abordando indivíduos, e não governos. Outras fontes deram depoimentos semelhantes, mas não está claro até que ponto houve ajuda estrangeira ao programa nuclear iraniano.

 

O jornal americano Washington Post noticiou a assistência de especialistas internacionais ao Irã, incluindo a de um ex-cientista militar soviético, para superar obstáculos técnicos que impediam o país de dominar passos importantes da fabricação de armas atômicas.

O diplomata radicado em Viena disse que a preocupação com o envolvimento de técnicos estrangeiros deve estar refletida num importante relatório a ser divulgado nesta semana pela AIEA. Mas o documento, que deve salientar as suspeitas envolvendo as ambições nucleares iranianas, provavelmente não citará os nomes dos especialistas envolvidos, acrescentou o diplomata.

O Irã nega as acusações de que estaria desenvolvendo secretamente um arsenal nuclear, e insiste que o objetivo do seu programa atômico é apenas gerar eletricidade com fins civis. Teerã, entretanto, já escondeu atividades estratégicas da AIEA no passado e atualmente continua fazendo restrições às inspeções internacionais e recusando-se a abandonar atividades que possam ter finalidade nuclear.

 

Por iniciativa dos Estados Unidos e de seus aliados, a Organização das Nações Unidas (ONU) já impôs quatro rodadas de sanções a Teerã. Analistas e diplomatas dizem que as potências ocidentais podem usar o relatório como argumento por mais sanções.

Em um relatório de maio, a AIEA já havia citado várias áreas de possível preocupação envolvendo dimensões nucleares do programa nuclear iraniano, incluindo experiências relevantes para o desenvolvimento de armas.

O texto não apresentou detalhes na época, mas o Post disse que essas experiências envolveram um cientista que havia sido ligado ao regime soviético e que foi abordado em meados da década de 1990 por Teerã para auxiliar no desenvolvimento e nos testes de um pacote de explosivos, que acabou sendo incorporado ao projeto iraniano de ogivas.

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