Reuters
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Irã vai julgar clérigo opositor por denunciar abuso de presos

Karoubi pediu investigação de violência sexual contra manifestantes detidos durante protestos contra eleição

estadao.com.br,

13 de outubro de 2009 | 07h59

A Justiça do Irã abriu um processo contra o clérigo reformista e ex-candidato presidencial Mehdi Karoubi por denunciar que alguns opositores, tanto homens como mulheres, teriam sido violentados em prisões depois de serem detidos durante as manifestações contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. O clérigo de 72 anos, umas das figuras centrais da Revolução Islâmica em 1979, é um dos poucos líderes do país que continuam desafiando as autoridades, pedindo abertamente que a população saia às ruas para protestar contra o regime.

 

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No fim de semana, a Justiça iraniana condenou à morte três manifestantes que participaram dos grandes protestos que ocorreram no país em junho. Os condenados - identificados apenas por suas iniciais - foram acusados de pertencer a grupos opositores e terroristas e, segundo a agência de notícias Isna, ainda podem apelar da decisão. Outras 18 pessoas foram condenadas, mas suas penas ainda não foram divulgadas. Essa foi a primeira divulgação oficial de sentenças de morte em relação aos protestos após as eleições, que a oposição diz que foram fraudadas para beneficiar Ahmadinejad.

 

Segundo a agência estatal Irna, um comitê especial judicial preparou um arquivo sobre o caso e o enviou para a Promotoria. "Karoubi é um clérigo e suas palavras devem ser estudadas em um tribunal especial para os clérigos", afirmou o promotor de Teerã Abbas Jafari Dolatabadi. "Foram convocadas alguma pessoas relacionadas ao caso", adiantou.

 

Karoubi, que ficou em quarto colocado nas últimas eleições presidenciais no país, acusou as autoridades iranianas de torturarem prisioneiros até a morte e disse que alguns manifestantes presos foram forçados se desnudar e abusados sexualmente enquanto estavam detidos. As denúncias aumentaram a indignação popular pelo tratamento que as autoridades davam aos cidadãos presos após as afirmações de suposta fraude eleitoral. Seu escritório foi fechado pelo regime dos aiatolás.

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