Irã violou lei ao não declarar nova instalação, diz El Baradei

O Irã violou uma regra de transparência da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) ao não revelar há muito tempo que está construindo uma nova fábrica de material nuclear, disse o diretor da instituição, Mohamed El Baradei, em entrevista pela TV.

MARK HEINRICH, REUTERS

30 de setembro de 2009 | 11h32

O Irã notificou a construção da nova usina à AIEA em 21 de setembro. Potências ocidentais dizem que Teerã só o fez depois de saber que governos exteriores haviam tomado conhecimento da obra, cuja construção começou há três anos e meio.

Fontes diplomáticas ocidentais dizem que a fábrica está escondida no subsolo de uma encosta montanhosa, num antigo quartel da Guarda Revolucionária, perto da cidade sagrada xiita de Qom. A revelação sobre sua existência reforçou a suspeita ocidental de que o Irã tenta desenvolver armas nucleares.

Teerã diz que seu objetivo é apenas gerar eletricidade para fins pacíficos, e que a usina só irá produzir urânio pouco enriquecido, o que é compatível para o uso civil. Enriquecido em níveis mais elevados, o urânio pode se prestar à produção de armas atômicas.

A República Islâmica alega ainda que não teria obrigação de ter revelado anteriormente a existência da nova usina, e que a partir de agora a instalação será aberta a inspeções da AIEA, a exemplo do que já acontece com a fábrica de urânio enriquecido de Natanz.

El Baradei, no entanto, disse à CNN-India, durante visita a Nova Délhi, que "o Irã deveria ter nos informado no dia em que decidiu construir a instalação (e) não o fez".

"Eles estão dizendo que essa deveria ser uma instalação reserva caso nós (Irã) fôssemos atacados, e sendo assim eles não poderiam ter nos contado antes."

"Apesar disso, eles têm estado no lado errado da lei até agora quanto a informar à agência sobre a construção, e, como vocês viram, isso criou preocupação na comunidade internacional", acrescentou. "Foi um revés para o princípio da transparência, para o esforço da comunidade internacional de construir confiança a respeito do programa nuclear iraniano."

Um estatuto da AIEA modificado em 1992 exige que os Estados membros notifiquem os inspetores assim que tomarem a decisão de construir uma nova instalação nuclear. Até então, esse alerta deveria ser feito num prazo de até seis meses antes da entrada de material nuclear da nova instalação.

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