Iraniana não será apedrejada, mas permanece condenada à morte

Agora sentenciada por assassinato, Sakineh deve ser enforcada, diz embaixada do Irã na Noruega

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2010 | 16h19

GENEBRA - O governo do Irã indica que a iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por adultério, deve ser enforcada, e não mais apedrejada, como havia sido estabelecido pela Justiça da República Islâmica. A nova decisão se deve ao fato de Sakineh ter sido agora condenada por assassinato. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 9, pela embaixada iraniana na Noruega.

 

Veja também:

linkItamaraty fez proposta formal para receber Sakineh

 

Nesta segunda, o Itamaraty confirmou ao Estado que fez uma oferta oficial a Teerã para receber a iraniana como refugiada. A Noruega passou a intervir no caso e conseguiu receber o advogado foragido de Sakineh e dialogando com o Irã para garantir sua proteção.

 

"O apedrejamento é muito raro no Irã. Já foi decidido que essa mulher (Sakineh) não será apedrejada", disse Mohammad Hosseini, diplomata iraniano em Oslo. Segundo ele, a iraniana foi condenada de fato por assassinato e sua vida apenas seria poupada apenas se a família do marido morto pedisse. "O juiz já tomou sua decisão. Agora, está nas mãos deles se ela será enforcada ou solta", indicou.

 

Ele insistiu, porém, que há "pouca simpatia por uma mulher que trai". "Todos querem viver e ela deveria ter pensado nisso antes de trair. Agora, está condenada por assassinato", disse o diplomata. Grupo de direitos humanos acusam o governo de ter modificado a condenação para justificar agora sua execução e de estar dando declarações desencontradas para confundir a defesa da iraniana.

 

Para Mina Ahani, que lidera um grupo de ativistas na Europa, apenas a pressão internacional pode evitar a execução de Sakineh. Ahani lembra que foi a atuação da Noruega que garantiu que a família do advogado de Sakineh fosse liberada da prisão no Irã nos últimos dias.

 

Há uma semana, a Corte Suprema do Irã negou um pedido dos advogados de defesa para rever o caso, o que indicaria que a sentença de morte estaria mantida. Uma decisão sobre como Sakineh seria executada seria anunciada nesta semana. Mas seu advogado, Mohammad Mostafaei, acredita que o regime iraniano sabe que, com a publicidade internacional sobre o caso, estará dando um tiro no pé se a executar de fato.

 

No sábado, Mostafaei desembarcou na Noruega, depois de ter fugido do Irã para a Turquia. A liberação veio depois que o governo da Noruega discretamente passou a intervir no caso e lhe ofereceu asilo.

Tudo o que sabemos sobre:
SakinehIrãpena de morte

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.