Iranianos elogiam Ahmadinejad por entrar na 'Cova do Leão'

Jornais consideram visita do presidente iraniano uma vitória e criticam declarações do reitor de Columbia

Reuters,

26 de setembro de 2007 | 15h08

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pode ter sido ridicularizado nos EUA por sugerir que não há homossexuais em seu país, mas recebeu elogios dos iranianos, nesta quarta-feira, por levar as demandas do país islâmico para dentro da "Cova do Leão". Em termos gerais, os políticos e os meios de comunicação do Irã, mesmo alguns dos que já criticaram o presidente, descreveram a visita de Ahmadinejad a Nova York como uma vitória e criticaram o reitor de uma universidade norte-americana por chamá-lo de "um ditador mesquinho e cruel". Mas um jornal pró-reforma do Irã observou que, apesar de o presidente ter afirmado na palestra feita na universidade que respeitava os acadêmicos, esse não parecia ser o cenário de sempre no país islâmico. Ahmadinejad, que costuma criticar o Ocidente, viajou para os EUA em um momento de crescentes tensões entre os dois países devido às ambições nucleares dos iranianos e à guerra no Iraque. O presidente fez uma palestra na Universidade Columbia, na segunda-feira, e no dia seguinte proferiu um discurso na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse discurso, disse que a questão das ambições nucleares do Irã era um caso "encerrado" e que as ameaças militares e as sanções haviam fracassado. "Por ingressar sem medo e corajosamente na 'Cova do Leão', ele (Ahmadinejad) deve com certeza se tornar um herói ainda maior nas ruas do mundo árabe-islâmico", escreveu o jornal Iran News. O Irã nega as acusações norte-americanas de que tenta construir uma bomba nuclear e diz que seu programa visa exclusivamente a produção de energia elétrica. Alguns iranianos condenaram a forma como Ahmadinejad foi tratado na Universidade Columbia, onde criticou Israel e os EUA e onde provocou risos e manifestações de escárnio ao afirmar que não há homossexuais no Irã. A homossexualidade é um crime punível com a pena de morte no país islâmico.

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