Iraque alerta para massacre com 29 mortos em Diyala

Ataque é feito por sunitas com uniformes das tropas de elite do Ministério do Interior

Efe e Associated Press,

17 Julho 2007 | 09h10

Dezenas de xiitas foram mortos em uma vila no norte do país por extremistas sunitas, informaram nesta terça-feira, 17, dois policiais iraquianos, no mesmo dia em que um carro-bomba explodiu próximo à Embaixada do Irã em Bagdá e matou quatro civis.  O coronel Ragheb Radhi al-Omairi afirmou que 29 pessoas foram mortas na madrugada desta terça em Diyala, onde dezenas de homens armados realizaram um massacre contra a população da aldeia de Duwailiya. Veja também:Carro explode próximo a embaixada do Irã em Bagdá; 4 mortos A aldeia é de população majoritariamente xiita. Segundo o coronel Ghalib Radi, porta-voz de operações militares em Diyala, os homens, que usavam uniformes das tropas de elite do Ministério do Interior, fugiram depois do assalto. "Os pistoleiros usavam uniformes militares para fazer a população acreditar que eles faziam parte das forças de segurança", explicou Radi, acrescentando que outras quatro pessoas foram feridas. Um oficial do Exército iraquiano, que não quis ser identificado, afirmou que pelo menos 10 corpos foram mutilados durante o massacre. "Os desconhecidos também mutilaram os corpos dos assassinados", disse o oficial, dando a entender que o massacre pode ter uma motivação sectária. Entre os mortos há mulheres e crianças, explicaram testemunhas do povoado, que se encontra na conflituosa província de Diyala, um dos principais refúgios da insurgência sunita. O massacre acontece no aniversário do golpe de Estado de 17 de julho de 1968, que levou ao poder o partido Baath, do ex-ditador Saddam Hussein.  Violência Na mesma província, um grupo de insurgentes armados seqüestrou dois jornalistas iraquianos, informou uma organização de defesa dos direitos dos jornalistas no Iraque. Segundo o Observatório das Liberdades Jornalísticas no Iraque, os repórteres - identificados como Hassan Fleih al-Shimari, correspondente do canal de televisão iraquiano por satélite Al Diar, e Adam Khalil, fotógrafo da agência de notícias americana Associated Press, foram seqüestrados no último domingo. O Observatório também expressou seu mal-estar devido aos contínuos seqüestros de jornalistas no Iraque, "sem que se saiba seu paradeiro nem sejam identificados os responsáveis dos seqüestros". Segundo a organização, nos últimos quatro anos, foi registrado no Iraque um total de 54 seqüestros de repórteres e ajudantes de jornalistas iraquianos, além de profissionais de outras nacionalidades. A maioria desses seqüestrados foi assassinada, enquanto 15 permanecem até agora em paradeiro desconhecido, acrescentou o documento. Fontes policiais iraquianas informaram nos últimos dias sobre a morte de três jornalistas iraquianos em diferentes ataques em Bagdá. No centro de Bagdá, um carro explodiu perto da sede da missão diplomática iraniana. Quatro foram mortos e 12 veículos foram carbonizados. O local fica no centro da capital e não muito longe da Zona Verde, área fortificada onde se encontram os edifícios governamentais mais importantes, além das embaixadas dos Estados Unidos e Reino Unido. O atentado também provocou graves danos a vários edifícios da área, que foi imediatamente cercada pelas Forças de Segurança iraquianas, segundo as fontes. Ainda não se sabe se a Embaixada iraniana era o alvo do atentado. Dia sangrento Os atentados ocorrem apenas um dia depois de um dos dias mais sangrentos no país, quando 85 pessoas foram mortas em Kirkuk, norte do Iraque. Um caminhão-bomba foi detonado junto com um veículo em zonas movimentadas da cidade, segundo a polícia.  O caminhão explodiu em um mercado lotado de Kirkuk. Já o carro estava estacionado em uma rua movimentada quando foi detonado. Mais de 180 pessoas foram feridas no ataque.  Nesta terça, os familiares das vítimas começaram a recolher os corpos. O caminhão-bomba explodiu em um mercado perto de um diretório da União Patriótica do Curdistão, o partido do presidente do Iraque, Jalal Talabani.

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