Iraque aprova novo governo com Maliki como premiê

O Parlamento iraquiano aprovou o primeiro-ministro Nuri al-Maliki e seu novo governo nesta terça-feira, nove meses depois de uma eleição inconclusiva ter deixado o Iraque num limbo político e atrasado os investimentos necessários para reconstruir o país, após anos de guerra.

WALEED IBRAHIM E SUADAD AL-SALHY, REUTERS

21 de dezembro de 2010 | 14h22

Parlamentares aprovaram Maliki e vários novos ministros, elevando o ministro do Petróleo, Hussain al-Shahristani, a vice-primeiro-ministro para a Energia e confirmando em seu lugar o ex-ministro do Exterior, o veterano curdo Hoshiyar Zebari.

Ressaltando as divisões étnicas e sectárias que permeiam o país devastado pela guerra, o Parlamento teve que adiar a votação na segunda-feira, depois de disputas sectárias de último minuto e negociações envolvendo cargos políticos terem atrasado a formação do governo.

Em um discurso ao Parlamento antes de os parlamentares aprovarem seu plano de governo, Maliki reconheceu o caminho cheio de obstáculos seguido pela nascente democracia iraquiana durante os nove meses de discussões entre facções políticas.

"Não estou dizendo que este governo, com todas suas formações, satisfaz as aspirações dos cidadãos, nem as dos blocos políticos, nem minha ambição, nem a ambição de outra pessoa, porque ele se formou sob circunstâncias extraordinárias", disse Maliki.

O ex-primeiro-ministro Iyad Allawi, que não conseguiu apoio suficiente para uma maioria parlamentar depois de seu bloco Iraqiya, com integrantes de várias facções, ter conquistado a maioria das cadeiras, disse aos parlamentares que sua coalizão, apoiada pelos sunitas, participará plenamente do governo.

"Nós, como o bloco Iraqiya, declaramos nosso pleno apoio a este governo", disse Allawi. "O Iraqiya exercerá um papel ativo, produtivo e cooperativo".

Maliki ainda não escolheu nomes permanentes para alguns cargos, entre os quais os ministérios importantes ligados à segurança, como Defesa e Interior.

O premiê promoveu o vice-ministro do Petróleo Abdul Kareem Luaibi a ministro e nomeou como ministro das Finanças o destacado líder sunita Rafie al-Esawi.

"O acordo selado entre os partidos é complexo, mas o que é crucial é que eles conseguiram passar por este ponto com negociações pacíficas, sem qualquer retorno à violência em grande escala", disse Shadi Hamid, diretor de pesquisas do Centro Brookings Doha.

"Isto dito, acordos de partilha de poder, como este, tendem a ser frágeis, de modo que os próximos meses serão um teste crucial para os blocos rivais."

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