Khalid al Mousily/Reuters
Khalid al Mousily/Reuters

Iraque avança em Mossul e pede 'respeitos humanos' em batalha contra Estado Islâmico

Os militantes do Estado islâmico estão cercados no oeste de Mosul desde o mês passado quando forças apoiadas pelos EUA isolaram a cidade

Reuters, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2017 | 06h55

BAGDÁ - As forças iraquianas apoiadas pelos EUA começaram a se deslocar neste domingo, 19, para o aeroporto de Mosul. O lugar será o primeiro alvo de uma ofensiva terrestre para retomar o lado ocidental da cidade, que permanece sob o controle de Estado islâmico.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, anunciou no domingo o início formal de uma ofensiva terrestre na região e pediu às forças iraquianas que "respeitem os direitos humanos" durante a batalha.

Desde o mês passado, militantes do Estado islâmico estão cercados no oeste de Mosul quando forças apoiadas pelos EUA isolaram a cidade. Estima-se que 650 mil civis também estejam na cidade.

Agora, a polícia federal iraquiana tenta capturar o aeroporto de Mosul, localizado ao sul da cidade.

O comando de forças armadas do Iraque anunciou que já nas primeiras horas, capturaram várias aldeias e uma estação de distribuição de energia local, além de mataram vários militantes, entre eles atiradores.

"Mosul seria uma luta dura para qualquer exército no mundo", disse o comandante das forças das coalizões lideradas pelos EUA, tenente general Stephen Townsend, em um comunicado.

Neste sábado, 19, o Ministro da Defesa do Iraque disse que aviões iraquianos jogaram  milhões de panfletos na cidade alertando os moradores que a batalha para contra o Estado Islâmico era iminente.

Os comandantes esperam que a batalha no oeste seja mais difícil do que no leste porque os tanques e os veículos blindados não conseguiriam atravessar as ruas estreitas e becos da cidade.

Além disso, segundo relato de moradores, os militantes desenvolveram uma rede de corredores e túneis que permitirão esconder e lutar entre os civis e rastrear movimentos de tropas do governo.

Mosul Ocidental abriga o centro antigo da cidade, com a Grande Mesquita e a maioria dos edifícios administrativos do governo.

Foi do púlpito da Grande Mesquita de Mosul que o líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi declarou um "califado" sobre partes da Síria e do Iraque em 2014.

A cidade - a segunda maior do Iraque - é o maior centro urbano capturado pelo Estado Islâmico em ambos os países.

O estado islâmico foi pensado para ter até 6 mil lutadores em Mosul quando a ofensiva do governo começou em meados de outubro. Destes, mais de mil foram mortos, segundo estimativas iraquianas.

O restante agora enfrenta uma força de 100 mil homens formada por forças armadas iraquianas, incluindo paraquedistas de elite e policiais, forças curdas e grupos paramilitares xiitas treinados no Irã.

Os Estados Unidos, que desdobraram mais de 5 mil soldados nos combates, lidera uma coalizão internacional fornecendo apoio aéreo e terrestre crítico, incluindo fogo de artilharia, às forças iraquianas e curdas.

Com a captura de Mosul, acaba efetivamente com as ambições dos militantes pelo domínio territorial no Iraque.

Com a recuperação, as forças internacionais esperam que o Estado Islâmico continue existindo, mas focado principalmente em atentados isolados e suicidas no exterior.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.