Iraque diz que EUA e Irã realizarão um novo encontro em breve

O Irã e os EUA realizarão em breve uma segunda rodada de negociações sobre a situação do Iraque, dando continuidade assim ao encontro histórico ocorrido em maio, afirmou na terça-feira o ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshiyar Zebari. O governo norte-americano acusa os iranianos de fomentarem a violência sectária no Iraque. O Irã, um país xiita, nega dar apoio a insurgentes no território vizinho e culpa a invasão liderada pelos EUA em 2003 pelo derramamento de sangue entre a maioria xiita e a minoria sunita do Iraque. Mas o recrudescimento da violência no território iraquiano levou os dois países, que cortaram relações diplomáticas pouco depois da Revolução Islâmica no Irã (1979), a buscarem pontos em comum a respeito da situação iraquiana. "Posso confirmar que dentro em breve haverá uma segunda rodada de negociações em Bagdá. Será um encontro envolvendo embaixadores. O Iraque participará dele, e as negociações tratarão da estabilidade e da segurança no Iraque", afirmou Zebari à Reuters, por telefone. Em Teerã, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, afirmou a repórteres haver uma "grande possibilidade" de que aconteça uma segunda rodada de negociações no "futuro próximo." Chamando atenção para a situação caótica instalada no Iraque, quatro pessoas foram mortas e outras cinco ficaram feridas na explosão de um carro-bomba dentro de um estacionamento localizado na frente da Embaixada do Irã em Bagdá, disse a polícia iraquiana. Os embaixadores iraniano e norte-americano presentes no Iraque reuniram-se em Bagdá, no dia 28 de maio -- realizando o encontro de mais alto escalão entre das últimas três décadas. Os EUA lideram atualmente os esforços diplomáticos para isolar o Irã devido ao programa nuclear deste país -- os dois lados afirmam que quaisquer negociações sobre o Iraque não tratam de nada além disso. Os EUA pressionam os políticos iraquianos a aprovarem leis a respeito da divisão de poderes dentro do Iraque, o que, acredita, reaproximaria os xiitas, sunitas e curdos. Em um sinal de que a classe política iraquiana, profundamente divida, pode estar prestes a resolver algumas de suas disputas, o bloco do clérigo xiita Moqtada al-Sadr, contrário aos EUA, disse ter suspendido seu boicote ao Parlamento. "A partir de hoje, retomamos nossas atividades no Parlamento. Estamos de volta", afirmou Nassar al-Rubaei, porta-voz do bloco dentro do órgão legislativo. O movimento ocupa 30 das 275 cadeiras do Parlamento. Essa cota representa um quarto da bancada da Aliança xiita, ligada ao primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki. Segundo Rubaei, o bloco havia recebido garantias do Parlamento de que o governo protegeria os locais sagrados. A bancada de Sadr se retirou do Parlamento de 13 de junho após os minaretes gêmeos da Mesquita Dourada, em Samarra, terem sido destruídos por supostos militantes da rede Al Qaeda, um grupo sunita. O bloco reclamou então que o governo de Maliki não vinha adotando as medidas necessárias para proteger os locais sagrados do Iraque. No mês passado, depois de perder o cargo de presidente do Parlamento, o bloco sunita Frente da Concórdia também se retirou do órgão legislativo. Esse bloco não retomou suas atividades ainda, e os ministros dele vêm boicotando as reuniões do gabinete de governo.

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