Iraque diz que soldados dos EUA sairão se não houver acordo

O Iraque não tentará prorrogar o mandato da ONU para a ocupação militar norte-americana, o que obrigaria os soldados dos EUA a deixaram o território iraquiano no começo de 2009, caso o Parlamento do país não aprove um acordo que autoriza tal presença militar até 2011, disse o primeiro-ministro Nuri Al Maliki no domingo. Pouco antes, líderes iraquianos haviam se reunido com políticos recalcitrantes para tentar convencê-los a dar apoio geral ao pacto, que dá aos EUA três anos para encerrar gradualmente uma presença que começou em 2003, na invasão que levou à deposição do ditador Saddam Hussein. "Prorrogar a presença das forças internacionais no solo iraquiano não será nossa alternativa", disse Maliki a jornalistas. "A alternativa será a imediata retirada deles do Iraque." Líderes das principais bancadas parlamentares -- exceto a do clérigo xiita Moqtada Al Sadr -- participaram da reunião a portas fechadas, na noite de domingo. Hassan Al Shimmari, líder da bancada do partido xiita Fadhila, que é contra o pacto, disse que não houve acordo. "Decidiu-se que os chefes devem se reunir amanhã (segunda-feira), e que todos os blocos apresentem exigências quanto a recomendações a serem votadas", disse. Maliki e vários de seus ministros defendem ardorosamente o acordo, argumentando que é a melhor esperança para o Iraque restaurar sua soberania sem voltar ao caos dos últimos anos. "Uma retirada imediata não seria do interesse do Iraque", disse Maliki em entrevista coletiva no fim da noite. Muitos iraquianos presumiam que a única alternativa fosse a prorrogação do mandato da ONU, que expira em 31 de dezembro. O acordo foi aprovado no domingo anterior pelo gabinete e agora está sendo debatido no Parlamento, onde deve ser votado na quarta-feira, antes do início do recesso. Partidos xiitas e curdos que apóiam Maliki têm votos suficientes para aprovar o acordo, mas seria necessário também o apoio de partidos sunitas e de partidos menores para definir um amplo consenso.

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