Iraque espera que mais milícias suspendam atividades

Exército Mahdi obedece trégua ordenada pelo líder do grupo, Moqtada al-Sadr, e desaparece das ruas de Bagdá

REUTERS

31 de agosto de 2007 | 10h07

O governo iraquiano torce para que a suspensão das atividades da milícia Exército Mahdi, ordenada nesta semana pelo clérigo xiita Moqtada al-Sadr, leve outros grupos armados do país a seguirem o exemplo.Em nota, o gabinete do primeiro-ministro Nuri Al Maliki elogiou a ordem dada por al-Sadr para que sua facção suspenda as ações armadas por até seis meses."Esta iniciativa é um passo encorajador no sentido de preservar a segurança e a estabilidade, e é uma boa oportunidade para congelar o trabalho de outras medidas, a despeito da sua afiliação política e ideológica", disse a nota divulgada nesta sexta-feira, 31.Maliki pede há tempos que vários grupos políticos desarmem suas milícias, mas o apelo sempre era ignorado.A ordem de suspensão foi dada na quarta-feira pelo clérigo antiamericano, um dia depois da morte de dezenas de pessoas em confrontos envolvendo milicianos da Mahdi durante uma peregrinação xiita na cidade de Kerbala.O premiê atribuiu a violência a "gangues criminosas armadas e fora-da-lei, formadas por remanescentes do sepultado regime de Saddam (Hussein)." A nota do governo diz que os sadristas formam "um dos blocos políticos básicos no Iraque, e vão continuar sendo um parceiro ativo e real no processo político."Trégua Desde o surpreendente anúncio, seguidores armados de al-Sadr não são vistos nas ruas. Mas muitos dizem que vão lutar se forem provocados pelas tropas dos EUA. A nota divulgada pelo governo diz que as forças do governo não estavam perseguindo seguidores de al-Sadr em Kerbala, numa aparente resposta à prisão de mais de 70 pessoas.Um assessor do clérigo disse na quinta-feira que a pausa nas ações armadas pode durar só uma semana se as forças norte-americanas e iraquianas não pararem de prender os seguidores de Sadr.Nas últimas semanas, as forças dos EUA fazem várias incursões contra o Exército Mahdi na favela de Sadr City, reduto do clérigo em Bagdá. Washington acusa vários os milicianos de terem vínculos com o Irã.Seguidores de al-Sadr dizem que ele determinou a trégua para poder expulsar membros descontrolados da milícia. Para analistas, porém, o verdadeiro teste é ver se os militantes param ou não os combates.Exército MahdiO jovem clérigo tem uma enorme massa de seguidores entre comunidades xiitas urbanas e pobres. Ele criou o Exército Mahdi em 2003, após a ocupação norte-americana.Um ano depois, Sadr comandou seus homens em duas rebeliões contra as forças dos EUA, mas em seguida entrou para a política institucional e teve papel importante na ascensão de Maliki ao poder, em 2006.

Tudo o que sabemos sobre:
IRAQUEMILÍCIAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.