Iraque libera ex-membros de partido de Saddam para eleições

Justiça retira proibição de lista que vetava 450 sunitas ligados ao antigo partido Baath de concorrer em março

AP,

03 de fevereiro de 2010 | 17h36

Uma corte de apelação no Iraque retirou a proibição a 450 candidatos ligados ao antigo regime de Saddam Hussein de concorrer nas eleições legislativas deste ano. A medida pode aliviar as tensões que cercam a votação, marcada para março.

 

Líderes sunitas diziam que a lista era usada por rivais xiitas para marginalizá-los da disputa. O presidente iraquiano, Jalal Talabani, conseguiu na Justiça um acordo que permite os candidatos disputem os cargos, mas só poderão assumi-los depois de esclarecer seus vínculos com o antigo partido Baath.

 

Saleh al-Mutlaq, um proeminente político sunita, cujo nome está na lista disse que a medida prova que o Judiciário iraquiano é neutro. "Nosso sistema legal não é afetado por decisões políticas", disse.

O governo xiita do premiê Nouri al-Maliki erradicou oficiais ligados a Saddam do governo e do exército após a invasão liderada pelos EUA em 2003.

 

Alguns líderes sunitas acreditavam que a punição foi longe demais, afetando baathistas que apenas se juntaram ao partido sem ligação direta com Saddam. "A decisão é um passo adiante para a democracia iraquiana", elogiou o depurado sunita Mustafa al-Hiti.

 

Nos últimos meses, prédios do governo e civis xiitas tem sido alvo de diversos atentados no Iraque. Nesta quarta-feira, ao menos 20 pessoas morreram em um ataque a uma peregrinação em Kerbala.

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