Iraque permite que partidários de Saddam voltem ao governo

Decreto é a primeira de 18 leis que os EUA exigiram que o Iraque aprove para 'promover a reconciliação' no país

AE-AP

03 de fevereiro de 2008 | 16h40

O Conselho da Presidência do Iraque emitiu neste domingo,3, um decreto que permitirá que 38 mil ex- integrantes do partido Baath, do presidente derrubado Saddam Hussein, voltem a ocupar cargos públicos, O decreto é a primeira de 18 leis que os EUA exigiram que o Iraque aprove para "promover a reconciliação" no país. O vice-presidente do Iraque, Tariq al-Hashemi, se opôs ao decreto porque ele determina a demissão imediata de 7 mil ex-integrantes do partido Baath que integram os serviços de segurança e de informações. "Al-Hashemi acredita que alguns itens da lei criam obstáculos à reconciliação nacional e excluem funcionários cuja especialização é vital para o Estado iraquiano", disse um funcionário. Em 2003, depois de as tropas invasoras dos EUA e seus aliados derrubarem o regime de Saddam Hussein, o governo provisório liderado pelo norte-americano Paul Bremer decretou a dissolução do Exército do Iraque e o afastamento do governo de todos os ex-integrantes do partido Baath, que dera sustentação política ao regime de Saddam ao longo de 35 anos. Isso contribuiu para acirrar as diferenças entre as comunidades sunita, xiita e curda, já que os sunitas eram maioria no partido Baath e no governo, embora o governo de Saddam fosse secular (seu vice, por exemplo, era um cristão católico). A exclusão dos baathistas do governo inflou as fileiras da resistência iraquiana às forças de ocupação estrangeiras, a ponto de os EUA reverterem sua política em meados de 2007.  Os xiitas, que haviam sido as maiores vítimas das atrocidades de Saddam, passaram a ser alvo das tropas norte-americanas, por suas relações com o governo do vizinho Irã; ao mesmo tempo, os EUA passaram a armar as milícias sunitas que haviam apoiado Saddam no passado, dando a elas o controle de algumas Províncias iraquianas.

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