Iraque promete à Turquia combater rebeldes curdos

Ainda não está claro se promessa conseguirá satisfazer a Turquia, que busca acabar com ataques na fronteira

Reuters,

23 de outubro de 2007 | 14h28

O governo iraquiano prometeu nesta terça-feira, 23, investir contra os rebeldes curdos responsáveis por lançar ataques contra a Turquia a partir de bases no norte do Iraque.  Veja também: Turquia pode invadir 'a qualquer momento'Turquia rejeita trégua proposta por rebeldes Rebeldes curdos do PKK anunciam cessar-fogoTurquia reforça tropas na fronteira iraquianaEntenda o conflito entre turcos e curdos  ''Turquia tem direito de defender-se''   Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva  A decisão é uma tentativa de dissuadir a Turquia de realizar uma incursão militar no território vizinho, a fim de reprimir os curdos.  Depois de uma reunião de emergência com o ministro das Relações Exteriores turco, Ali Babacan, em Bagdá, o chanceler iraquiano, Hoshiyar Zebari, disse que o Iraque restringiria a movimentação dos rebeldes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e que tentaria impedir o grupo de continuar obtendo dinheiro. Os guerrilheiros separatistas do PKK mataram ao menos 12 soldados da Turquia em combates ocorridos no fim de semana, elevando para cerca de 50 o número de turcos mortos vítimas dos rebeldes nas últimas semanas.  Ainda não está claro, no entanto, se a promessa iraquiana conseguirá aplacar a fúria dos turcos, que buscam acabar com os ataques realizados através da fronteira. O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que seu governo dará uma chance aos esforços diplomáticos, mas lembrou o Iraque de que o Parlamento turco já havia autorizado a realização de uma investida militar. O recrudescimento da violência entre curdos e turcos no sudeste da Turquia gerou forte comoção social no país, levando o governo de Erdogan a pedir uma permissão para invadir o norte do Iraque. "Neste momento, estamos esperando. Mas o Iraque deve estar ciente de que podemos usar a autorização (do Parlamento) para realizar uma operação através da fronteira a qualquer momento", afirmou o premiê em uma entrevista concedida ao lado do primeiro-ministro do Reio Unido, Gordon Brown, em Londres. Zebari afirmou a Babacan que o Iraque está pronto para ajudar a controlar o PKK e a colocar fim aos ataques do grupo. "Eu dei garantias ao ministro de que o governo iraquiano ajudará energicamente a Turquia a superar essa ameaça", afirmou Zebari, que é curdo, em uma entrevista coletiva. "Não permitiremos que nenhum partido, incluindo o PKK, envenene nossas relações bilaterais." Delegação Segundo o chanceler do Iraque, seu país enviaria à Turquia, para novas negociações, uma delegação composta por políticos e autoridades da área de segurança. "Vamos cooperar com o governo turco a fim de resolver por meio do diálogo direto os problemas na fronteira e o terrorismo que a Turquia vem enfrentando", acrescentou. Babacan afirmou que o governo turco poderia lançar mão de várias opções no combate ao terrorismo, incluindo "instrumentos econômicos, instrumentos culturais, a diplomacia e uma ação militar". "Qualquer um desses instrumentos terá de ser usado com uma certa estratégia, no momento certo", afirmou. As recentes declarações de tom conciliatório contribuíram para derrubar os preços do petróleo no mercado internacional, que haviam chegado a um patamar recorde. Curdistão estabilizado Uma incursão militar no norte iraquiano desestabilizaria a região curda e autônoma do Iraque, a única do país que testemunhou alguma estabilidade e prosperidade desde que as forças norte-americanas depuseram Saddam Hussein da Presidência do Iraque, em 2003. Babacan deve se reunir, ainda na terça-feira, com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, e com o presidente do país, Jalal Talabani (que também é curdo). A Turquia aumentou o número de soldados estacionados na fronteira com o Iraque, preparando-se para um eventual ataque contra as bases rebeldes. O governo turco colocou até 100 mil soldados na região, junto de tanques, caças F-16 e helicópteros de combate. O país estima que cerca de 3.000 integrantes do PKK possuem bases no Iraque.

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