Iraque promete enfrentar milícias após ameaça de Sadr

O governo do Iraque enfrentará asmilícias armadas e não permitirá a instalação de uma guerratotal como a citada pelo clérigo xiita Moqtada al-Sadr, afirmouna segunda-feira o ministro das Relações Exteriores do país,Hoshiyar Zebari. A reação de Zebari a Sadr surgiu após uma semana deviolentos confrontos ocorridos no bairro Sadr City, um redutodo clérigo em Bagdá. Esses embates foram descritos pelas ForçasArmadas dos Estados Unidos como os "mais intensos" das últimassemanas. Em um comunicado divulgado no sábado, Sadr prometeu "travaruma guerra aberta até a libertação" se o governo não suspenderas operações de repressão contra a milícia Exército Mehdi emBagdá e na cidade de Basra. A milícia é controlada peloclérigo. "Claro que ninguém aceitará uma guerra aberta no Iraque nempermitirá que as milícias dominem o país", afirmou Zebari àReuters, no Barein, onde participará de um encontro regional. "O governo iraquiano atuará de maneira muito firme noenfrentamento a todas as milícias ilegais, como demonstrou emBasra e em outros locais." Questionado sobre se o governo iraquiano conseguiria fazerfrente a Sadr, que liderou dois levantes contra as forçasnorte-americanas em 2004, o chanceler respondeu: "Claro quesim. Quando alguém desafia a autoridade do Estado, o governoprecisa entrar em ação." No sábado, foguetes explodiram dentro da Zona Verde, umaárea de segurança máxima localizada em Bagdá. Nesse dia, asecretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, reunia-se com oprimeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, e declarava seuapoio às operações lançadas contra as milícias e aos esforçospara isolar Sadr. O Exército Mehdi parece ter intensificado seus ataquesdesde que o clérigo fez sua ameaça, no sábado à noite. E asforças norte-americanas responderam realizando vários ataquespor meio de aviões-robô e helicópteros Apache. Os norte-americanos afirmaram ter matado, desde sábado, aomenos 34 milicianos em Bagdá, quase todos em Sadr City. O tenente-coronel Steven Stover, porta-voz das ForçasArmadas dos EUA, disse que um avião-robô disparou um míssilcontra três homens armados no domingo, naquele bairro, matandoum deles. Dois outros mísseis norte-americanos atingiram quatrohomens que carregaram foguetes em Sadr City, no domingo. E,segundo as Forças Armadas dos EUA, soldados norte-americanosmataram dois combatentes que atacaram seu posto de observaçãonesse bairro, onde moram 2 milhões de pessoas. Na segunda-feira de manhã, militares dos EUA mataram trêspessoas que disparavam granadas lançadas por foguete contra umposto de controle dos EUA no bairro Nova Bagdá, ao sul de SadrCity. "Nossos inimigos continuam atacando", disse Stover. "Nossasforças estão tentando montar barreiras e estão sendoconfrontadas." Hospitais de Sadr City disseram ter recebido 14 corpos emais de 50 feridos desde o domingo de manhã. Centenas depessoas morreram e centenas mais ficaram feridas desde o iníciodos combates, um mês atrás. Entre as vítimas há muitos civisatingidos no fogo cruzado. Nesta segunda-feira, uma mulher-bomba matou quatro pessoasem Baquba (capital da Província de Diyala), ao norte da capitaliraquiana. (Reportagem adicional de Mohammed Abbas em Manama, UlfLaessing no Kuweit e Peter Graff e Waleed Ibrahim em Bagdá)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.