Iraque promete reavaliar status de empresas de segurança

Decisão foi tomada após morte de oito iraquianos em tiroteio entre agentes privados e supostos militantes

Agências internacionais,

18 de setembro de 2007 | 08h44

O Iraque anunciou que irá rever o status de todas as empresas de segurança privadas no país depois que um tiroteio envolvendo agentes de uma companhia americana e supostos militantes deixou ao menos oito civis iraquianos mortos no domingo, 16, informou o governo do país nesta terça-feira, 18.  O governo iraquiano disse que o gabinete aprovou a decisão do Ministério do Interior de "suspender a licença" da empresa envolvida no incidente, a Blackwater, além de investigar imediatamente o tiroteio. A companhia fornece segurança à embaixada dos EUA e seus diplomatas, entre os quais o embaixador americano em Bagdá, Ryan Croocker.  Após uma polêmica sobre se o veto seria permanente, Bagdá anunciou que a medida teria validade temporária, mas garantiu que planeja rever a imunidade desfrutada por algumas companhias como a Blackwater.  "O gabinete afirmou a necessidade de rever a situação das companhias de segurança estrangeiras e locais trabalhando no Iraque, em concordância com as leis iraquianas", disse Ali al-Dabbagh, porta-voz do governo, em nota.  "Isso ocorre após o flagrante ataque conduzido por membros da companhia americana de segurança Blackwater contra cidadãos iraquianos", disse Dabbagh após a reunião do gabinete.  Há divergências sobre o número de mortos no tiroteio de domingo. Segundo a Reuters, o Ministério do Interior informa que 11 pessoas morreram por causa de disparos "indiscriminados" feitos pelos seguranças da Blackwater depois da queda de morteiros perto do comboio em que estavam. Já de acordo com o New York Times e a BBC, seriam oito mortes. O comunicado assinado por Dabbagh, no entanto, dá conta de 20 mortos e 35 feridos.  A Blackwater, por sua vez, argumenta que seus funcionários atuaram em legítima defesa, e que os iraquianos mortos eram combatentes armados que ameaçavam o corpo diplomático transportado no comboio.  Pressão A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, telefonou na segunda-feira, 17, para o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, para lamentar a morte de civis e pedir uma investigação justa e transparente do incidente.  Ao que tudo indica, a ligação também serviu para que o governo iraquiano diminuísse a pressão sobre as empresas privadas. Inicialmente, Bagdá havia anunciado que o cancelamento da licença da Blackwater seria por tempo indefinido. Após a conversa entre Rice e Maliki, no entanto, o governo iraquiano voltou atrás, e anunciou que manteria o veto até a conclusão das investigações. "Infelizmente, há muitas violações dessa companhia e ela deverá ser motivo de uma investigação", disse Dabbagh em relação à Blackwater. "Não pretendemos pará-los ou remover suas licenças para sempre, mas precisamos que eles respeitem as leis do Iraque." Status O status dos milhares de agentes privados de segurança pesadamente armados que atuam no Iraque ainda é pouco claro. Segundo a Ordem 17 - uma legislação instituída na transição de poder entre a Autoridade Provisional de Coalizão, controlada pelos EUA, e o governo civil iraquiano - os funcionários das empresas de segurança americanas não podem ser processados criminalmente no Iraque.  No entanto, Dabbagh afirmou nesta segunda-feira que o governo iraquiano é agora soberano e tem o direito de atuar contra os agentes de segurança, caso considere nescessário.

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