Iraque quer restringir movimentação de tropas dos EUA no país

O Iraque afirmou na sexta-feira que, emum novo acordo ainda sob negociação para prolongar a missãonorte-americana, não concederia aos EUA liberdade total paramovimentar suas forças em operações militares. O vice-primeiro-ministro iraquiano, Barham Salih, disse queos EUA desejam que suas forças atuem sem restrições, masressaltou que isso era inaceitável para o Iraque. Os norte-americanos, que invadiram o país árabe em 2003,derrubando do poder o ditador Saddam Hussein, negociam umacordo com o Iraque afim de prover uma base jurídica para apermanência dos soldados dos EUA no Iraque depois do dia 31 dedezembro, quando expira o mandato concedido pela Organizaçãodas Nações Unidas (ONU). As negociações geraram debates acalorados nos dois países.No Iraque, milhares de pessoas responderam ao apelo do clérigoanti-EUA Moqtada al-Sadr para que sejam realizadasmanifestações todas as sextas-feiras, depois dos cultosislâmicos tradicionalmente celebrados nesses dias. Não obstante o governo iraquiano ter confirmado que hágrandes diferenças entre os dois lados a respeito dasnegociações, poucos detalhes foram divulgados. "O que eu posso confirmar agora, sem hesitação, é que nãohaverá liberdade de movimentação para as forçasnorte-americanas presentes no Iraque", afirmou Salih ao canalde TV Arabiya. Autoridades dos EUA disseram nesta semana que não fariamcomentários sobre o conteúdo do processo. No entanto, diplomatas de países ocidentais afirmam serimprovável que os norte-americanos aceitem um acordo pelo qualteriam de pedir autorização do governo iraquiano antes derealizar qualquer operação militar. "Se chegarmos a um acordo, qualquer movimentação das tropasnorte-americanas deve ocorrer mediante aprovação iraquiana epor meio de consultas com o lado iraquiano", disse ovice-premiê. STATUS DAS FORÇAS O acordo sobre o "status das forças" é semelhante aospactos que os EUA selaram com vários outros países,estabelecendo as regras para a atuação dos soldadosnorte-americanos. As negociações deixaram indignados muitos iraquianos quesuspeitam da possibilidade de os EUA desejarem manter umapresença permanente no Iraque. O embaixador norte-americano no país árabe, Ryan Crocker,porém, rejeitou na quinta-feira essas sugestões, as quaisdescreveu como "totalmente inverídicas". Crocker disse que oeventual acordo respeitaria a soberania do Iraque. Segundo Salih, os EUA haviam pedido ao governo iraquiano amanutenção do atual status militar dos norte-americanos, quenão precisam pedir autorização prévia a fim de realizar suasoperações. "Os EUA pediram a permanência do status atual, mas o Iraquenão considera isso algo útil", afirmou. No entanto, o espaço de manobra do governo iraquiano nasnegociações pode ser limitado, já que ele depende do poder defogo dos EUA para proteger suas fronteiras e enfrentar gruposarmados, entre os quais insurgentes e milícias, que desafiam opoder central. Apesar de afirmarem que o poderio militar do Iraqueaumentou nos últimos meses, os EUA sabem que o país continuadependente das forças norte-americanas para apoio logístico eaéreo. As forças de segurança iraquianas controlam apenas metadedas 18 Províncias do país. Salih reconheceu isso, afirmando que os soldados iraquianosnão haviam avançado o suficiente a ponto de atuarem sozinhos emtodo o Iraque. "Nós esperávamos que o poderio das forçasiraquianas tivesse aumentado. Mas ainda precisamos da presençade forças estrangeiras para nos ajudarem", disse. Na sexta-feira, milhares de iraquianos protestaram nobairro Sadr City, reduto de Sadr em Bagdá, e nas cidadessagradas de Kerbala e Najaf, no sul do Iraque, contra asnegociações. Alguns manifestantes carregavam cartazes nos quais se lia aexpressão "Ocupação Permanente". (Reportagem adicional de Khaled Farhan, em Najaf, eMohammed Amin, em Bagdá)

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