Iraque torturou prisioneiros com consentimento dos EUA, diz WikiLeaks

Canal divulga dados sobre a guerra que seriam vazados pelo Wikileaks antes da data prevista

estadão.com.br,

22 de outubro de 2010 | 18h51

A nova série de documentos secretos vazados pelo site WikiLeaks e publicados pelo The New York Times indica que as forças de segurança iraquianas praticaram sistematicamente tortura em seus prisioneiros, com a anuência dos EUA. Entre 2003 e 2009, seis prisioneiros morreram sob custódia iraquiana.

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Após a guerra, iniciada em março de 2003, ocorreram "numerosos casos de tortura, humilhação e homicídios contra civis por parte das forças iraquianas", afirma a TV, com base nos dados do WiliLeaks. A antiga empresa de segurança Blackwater também teria matado mais civis do que o número oficial.

O Exército americano também teria ocultado casos de tortura dentro das prisões iraquianas, e supostamente há relatórios americanos que envolvem o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, de ordenar a formação de "equipes encarregadas de perpetrar torturas e matanças".

Métodos de interrogatório incluíam mutilações de dedos e uso de ácido. Em agosto de 2009, uma autópsia feita por autoridades americanas revelou que um preso morto por suicídio tinha lesões na cabeça, costas, pernas e pescoço, além de queimaduras por todo o corpo.

Em dezembro do ano passado, 12 soldados americanos foram flagrados em um vídeo em Tal Afar atirando em um prisioneiro de mãos atadas.

Segundo os documentos divulgados pelo WikiLeaks, o exército americano 'lavou as mãos' em alguns casos de denúncias de abuso cometidos pelos iraquianos. Embora alguns casos tenham sido investigados , a maioria foi ignorada após oficiais comunicarem as autoridades iraquianas.

Os relatórios também revelam que muitas vezes os americanos usavam a violência das forças iraquianas como método de persuasão em interrogatórios.

Segundo o Pentágono, a política americana sobre o abuso de prisioneiros sempre foi consistente com as leis internacionais. As regras atuais dizem que os abusos devem ser comunicados. Se forem cometidos por iraquianos, as forças do país devem investigá-los.

A denúncia vem a público em um momento no qual as forças de segurança iraquianas se tornaram responsáveis pela segurança do país, após o presidente Barack Obama encerrar as missões de combate, em agosto deste ano.

Em julho, o site já entrou em conflito com o governo americano ao publicar 92.000 relatórios secretos das Forças Armadas sobre o Afeganistão.

 

Atualizado às 19h59

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