Iraquiana é presa sob acusação de recrutar 80 mulheres suicidas

Pelo menos 36 terroristas tentaram ou promoveram ataques em 2008, número superior aos 8 casos de 2007

Agência Estado e Associated Press,

03 de fevereiro de 2009 | 13h39

Uma mulher suspeita de ter recrutado mais de 80 suicidas femininas foi detida no mês passado, informou o Exército iraquiano nesta terça-feira, 3. A ação representa um importante golpe em uma das formas mais efetivas de ataques no Iraque. A mulher, identificada como Samira Ahmed Jassim, também é conhecida por seu apelido "Umm al-Mumineen". Ela mostrada em vídeo, confessando seus atos, durante uma entrevista coletiva em Bagdá. Vestida com roupas islâmicas negras dos pés à cabeça, ela descreveu como persuadia as mulheres a tornarem-se suicidas, levava elas a um pomar para treinamento insurgente e finalmente as conduzia a seus alvos. Ela disse que atuava em nome de insurgentes sediados na província de Diyala, ao norte de Bagdá. Um porta-voz do Exército, major-general Qassim al-Moussawi, disse que a suspeita recrutou mais de 80 mulheres que queriam realizar ataques e admitiu ter organizado 28 ataques a bomba em diferentes áreas. O número de ataques suicidas a bomba realizados por mulheres registraram alta, embora a violência no geral tenha diminuído. Comandantes norte-americanos alertaram que insurgentes estão tentando recrutar mais pessoas.  Pelo menos 36 mulheres suicidas tentaram ou levaram adiante 32 ataques com bombas no ano passado, comparado com oito casos em 2007, segundo dados do Exército norte-americano. Os militares disseram que não podiam fornecer informações sobre o número de mulheres suicidas de 2009. Mas houve pelo menos uma, que explodiu-se no meio de peregrinos iranianos em Bagdá, matando mais de 36 pessoas no dia 4 de janeiro. O uso de suicidas mulheres é parte de uma mudança nas táticas insurgentes para evitar a prisão dos militantes nos postos de controle militares, que se tornaram onipresentes no Iraque como parte das medidas de segurança. As mulheres iraquianas geralmente tem sua passagem permitida nos postos de segurança, guardados por homens, sem serem revistadas. Além disso, elas tradicionalmente usam roupas folgadas, tornando mais fácil que se esconda cinturões de explosivos. Para combater a ameaça, o Exército norte-americano tem feito esforços para recrutar mulheres para as forças de segurança iraquianas. Jassim, cujo apelido significa "a mãe de todos os crentes", foi detida pelas forças de segurança iraquianas em 21 de janeiro. Suspeita-se que ela tenha ligações com o grupo insurgente Ansar al-Sunnah, disse al-Moussawi. O porta-voz não disse onde Jassim está detida porque as investigações prosseguem.  No vídeo, Jassim disse que teve de conversar com uma mulher idosa várias vezes antes de persuadi-la a explodir-se em um ponto de ônibus. Ela também contou que demorou duas semanas para recrutar outra mulher, uma professora, que tinha problemas com seu marido e a família dele. Essa mulher realizou ataque contra grupos sunitas apoiados pelo governo na província de Diyla, segundo a suspeita.

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