Iraquianos culpam política por explosões em Bagdá

O governo iraquiano atribuiu os ataques mais violentos no país em anos à Al Qaeda e a outros extremistas, mas muitos iraquianos acreditam que as brigas políticas antes da eleição do ano que vem são a causa das explosões. Eles temem que o pior ainda esteja por vir.

MUHANAD MOHAMMED E AHMED RASHEED, REUTERS

26 de outubro de 2009 | 14h46

Centenas de pessoas enlutadas lotaram a área onde duas bombas mataram 155 pessoas no domingo, protestando contra os políticos e as forças de segurança. Bagdá estava com um congestionamento gigante de carros na segunda-feira, enquanto o governo organizava postos de fiscalização adicionais.

"O sangue dos iraquianos é muito barato e eu pergunto: quantas vítimas serão necessárias para convencer o governo de que ele fracassou por completo?", gritou Hameed Salam, ex-oficial do Exército que agora é motorista de táxi, parado no meio do congestionamento.

A eleição de 16 de janeiro vai se concentrar na questão da melhora da segurança sob o governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki após anos de guerra, além de em pontos difíceis sobre a distribuição de poder e da riqueza proveniente do petróleo.

A ameaça de novos ataques aumenta à medida em que os rivais tentam enfraquecer Maliki e os insurgentes tentam atrapalhar o processo eleitoral.

Muitos iraquianos enxergam as divisões e brigas no período que antecede a segunda eleição no país desde a invasão das tropas norte-americanas como a principal fonte de instabilidade no 11o produtor de petróleo bruto do mundo.

Embora a violência tenha diminuído desde que Washington enviou milhares de soldados adicionais ao país árabe, os ataques continuam comuns no Iraque, onde vivem 30 milhões de pessoas. O país está politicamente dividido, e os habitantes acreditam que os ataques a bomba e outros confrontos vão aumentar antes da eleição.

"O governo não está sob controle da situação da segurança e os líderes políticos brigam pelo poder", afirmou Alaa Hussain, antigo oficial militar.

"Maliki não é um super-homem e ele não pode assumir o controle da segurança do país a menos que exista cooperação e união entre os partidos e os políticos".

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