Iraquianos estão divididos sobre retirada dos EUA

Os iraquianos desejam que asForças Armadas dos EUA se retirem do território deles. Mas a data para que isso ocorra e a necessidade de haver ounão um cronograma para que os soldados saiam são coisas sobreas quais os iraquianos comuns, as autoridades da área desegurança e os políticos não conseguem chegar a um acordo. As diferentes opiniões de 24 pessoas entrevistadas em todoo país refletem as dramáticas mudanças verificadas nos últimosmeses, período durante o qual o nível de violência no Iraquecaiu para o menor patamar dos últimos quatro anos. As forças de segurança iraquianas, com o apoio dosmilitares dos EUA, realizaram grande operações em todo oterritório do Iraque para reprimir milícias xiitas e sunitas. Isso deu aos iraquianos uma maior confiança em suaspróprias forças. Outros insistem que o Exército e a polícia nãoconseguiriam agir sozinhos ainda e que uma retirada prematuradas tropas norte-americanas abriria a porta para o tipo de ondade violência responsável por quase esfacelar o Iraque há poucotempo. Trata-se de um dilema que o candidato do Partido Democrataà Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrentaráquando visitar o país árabe em breve. Obama promete retirar astropas de combate norte-americanas dali nos primeiros 16 mesesde seu governo. "Fixar um cronograma ou realizar uma retirada apressadaseria como cometer suicídio. Não acho que o Exército e apolícia iraquianos serão capazes de garantir a paz", afirmouMuneer Abbas, um político da cidade de Basra (sul). Ashraf Fawzi, estudante do ensino médio em Kirkuk (norte),discorda: "As forças norte-americanas precisam deixar o país deuma vez só, sem a estipulação de um cronograma. Eles trouxeramo sectarismo, algo sobre o qual nunca tínhamos ouvido falarantes. As forças de segurança iraquianas podem nos proteger." Na semana passada, o primeiro-ministro do Iraque, Nurial-Maliki, sugeriu fixar um cronograma para a retirada dasforças norte-americanas como parte de um acordo negociadoatualmente com os EUA. Esse acordo pretende determinar as regras a seremobservadas pelas tropas estrangeiras em território iraquianoapós expirar o atual mandato da Organização das Nações Unidas(ONU), no final do ano. Não foram mencionadas datas, e as autoridades iraquianaspassaram a usar a expressão mais genérica "horizonte de prazo"ao falar sobre uma futura retirada. Apesar de o atual governo dos EUA, comandado pelopresidente George W. Bush, rejeitar a adoção de um cronogramarígido, uma autoridade norte-americana envolvida naquelasnegociações disse à Reuters, nesta semana, que o futuro acordode segurança incorporaria "metas" para a transiçãonorte-americana e que essas metas "podem incluir datas." (Reportagem adicional de repórteres em Bagdá, Kirkuk,Basra, Tikrit, Ramadi e Najaf)

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