Iraquianos queimam bandeiras dos EUA no aniversário da guerra

Seguidores de clérigo xiita organizam atos em várias cidades em protesto aos seis anos da ocupação americana

Agência Estado e Associated Press,

20 de março de 2009 | 16h33

Seguidores do clérigo xiita Muqtada al-Sadr marcaram o sexto aniversário da guerra do Iraque queimando bandeiras dos Estados Unidos e gritando "não à ocupação" na capital Bagdá. Em outras cinco cidades, os apoiadores do clérigo fizeram protestos depois das orações para exigir a libertação de aliados detidos em prisões iraquianas ou norte-americanas. Em Faluja, um suicida matou um oficial da polícia iraquiana e outras cinco pessoas, dentre elas civis, numa tentativa de ataque ao líder local de voluntários sunitas.

 

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Em Bagdá, o auxiliar de Muqtada al-Sadr, xeque Haidar al-Jabiri, convocou os seguidores a participar de uma manifestação, no dia 9 de abril, em protesto aos seis anos de ocupação americana da cidade. "Hoje temos uma lembrança da ocupação cruel do Iraque e, no dia 9 de abril, haverá um canto pela libertação", disse o xeque Haidar al-Jabiri aos participantes dos sermões matinais desta sexta-feira no bairro xiita de Cidade Sadr. Ele acrescentou: "Muqtada os convida para participar da manifestação de milhões de pessoas no dia 9 de abril, o aniversário da cruel ocupação."

 

Bagdá rendeu-se às forças dos Estados Unidos no dia 9 de abril de 2003. A guerra começou com um míssil e um ataque a bomba no sul de Bagdá na madrugada de 20 de março de 2003, dia 19 em Washington. Uma manifestação similar, planejada no ano passado foi cancelada. Outras manifestações convocadas por Muqtada al-Sadr atraíram milhares de pessoas, mas nunca alcançaram 1 milhão de participantes.

 

Em Cidade Sadr, os presentes ergueram um banner no qual se lia: "Para o governo iraquiano, quando vocês serão confiáveis e libertarão nossos irmãos detidos?". "Não, não à ocupação. Sim, sim à liberação. Sim, sim pelo Iraque", gritavam os manifestantes.

 

Duas bandeiras norte-americanas foram queimadas. Milhares de seguidores de Muqtada al-Sadr em outras cinco cidades, Basra, Kut, Diwaniyah, Amarah e Nassíria, também foram às ruas nesta sexta-feira. Em Kut, cerca de mil pessoas fizeram uma passeata da grande mesquita, no centro da cidade, até os escritórios ligados a Sadr, protestando contra a ocupação norte-americana e pedindo que os detidos sejam libertados.

 

Um oficial de polícia e um pequeno grupo de civis morreram nesta sexta-feira quando tentavam impedir um terrorista suicida de chegar à casa de Saadoun al-Eifan, que coordena o braço local dos voluntários sunitas, os Filhos do Iraque. O major Hamed al-Jumaili disse que o atacante tentou chegar aos postos de guarda que monitoram a ponte na vila rural de Albu Eifan, onde Eifan mora, cerca de 10 quilômetros ao sul de Faluja. Ele detonou seu cinturão de explosivos depois de entrar em confronto com oficiais da polícia e moradores locais, disse Jumaili.

 

Os protestos e o ataque ocorreram um dia depois de uma ofensiva aérea norte-americana contra um esconderijo ao norte de Bagdá que matou pelos menos 11 insurgentes. Após o ataque foram encontrados no local depósitos de armas, munições e partes de um dispositivo explosivo improvisado, disse o porta-voz militar major Derrick Cheng.

 

Ele disse não saber se civis foram mortos ou ficaram feridos no ataque ou exatamente onde ele ocorreu. Segundo ele, os supostos insurgentes estavam num esconderijo ao sul de Balad Ruz, na Província de Diyala, cerca de 70 quilômetros a nordeste de Bagdá.

 

Na quinta-feira, o Exército dos Estados Unidos anunciou a morte de um soldado fora de batalha. O documento não identifica o soldado ou fornece detalhes sobre onde ou como a morte ocorreu e diz apenas que a divisão à qual pertencia o soldado opera na área ao sul de Bagdá. Segundo contagem da Associated Press, pelo menos 4.260 soldados norte-americanos morreram no Iraque desde o início da guerra.

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