Iraquianos visitam Turquia para discutir crise curda

Delegação com representantes curdos tenta evitar a incursão turca em busca de rebeldes do PKK no país

Agências internacionais,

25 de outubro de 2007 | 08h23

Uma delegação iraquiana deve visitar Ancara nesta quinta-feira, 25, a fim de buscar uma solução para a crise gerada pelos ataques de rebeldes curdos contra soldados turcos na fronteira entre a Turquia e o Iraque. Fontes diplomáticas turcas disseram que esta pode ser a última oportunidade para que Bagdá impeça uma incursão militar no seu território para combater os guerrilheiros do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Veja também: Entenda o conflito entre turcos e curdos  ''Turquia tem direito de defender-se''   Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva Dois altos funcionários do Ministério de Exteriores e representantes do Partido Democrático do Curdistão (KDP), dirigido por Massoud Barzani, e da União Patriótica do Curdistão (PUK), liderada por Jalal Talabani, pretendem dialogar para evitar uma incursão das tropas turcas, embora a Turquia se negue a reconhecer Barzani, Talabani e seus respectivos partidos como negociadores, por considerar que dão abrigo a militantes do PKK no norte do Iraque. O ministro de Exteriores turco, Ali Babacan, que foi a Bagdá no início desta semana para discutir a crise curda, disse que a delegação iraquiana será bem-vinda em Ancara se trouxer propostas concretas. "Dissemos que esta delegação deve ir à Turquia com propostas muito concretas, porque, caso contrário, a visita não terá nenhum sentido", disse Babacan após sua viagem a Bagdá. Forças turcas afirmaram que impediram um ataque de rebeldes curdos perto da fronteira iraquiana. O presidente Abdullah Gul alertou o grupo PKK, nesta quinta-feira, que a paciência da Turquia está chegando ao fim. Ancara mobilizou até 100 mil soldados para a área da fronteira preparando-se para uma possível operação contra os 3.000 rebeldes do PKK, que usam o norte do Iraque para lançar ataques contra a Turquia. "Estamos totalmente determinados a tomar as medidas necessárias para acabar com esta ameaça...O Iraque não deveria ser uma fonte de ameaça a seus vizinhos", afirmou Gul durante uma conferência econômica em Ancara. "Embora respeitemos a integridade territorial e unidade do Iraque, a Turquia está ficando sem paciência e não vai tolerar o uso do solo iraquiano para atividades terroristas." A pressão pública para as autoridades turcas agirem aumentou desde que os rebeldes mataram 12 soldados durante confrontos no último fim de semana. Caças turcos bombardearam na quarta-feira várias posições de rebeldes em território iraquiano, segundo a agência semi-oficial de notícias Anatólia. Jatos destruíram bases dos separatistas nas províncias de Sirnak, Hakkiri, Siirt e Van e pelo menos 34 rebeldes do PKK foram mortos. Segundo um funcionário iraquiano, um vilarejo curdo no Iraque, perto de Shiranish Islam(25 quilômetros a noroeste da cidade de Dahuk), também foi intensamente bombardeado. Fontes do serviço iraquiano afirmam também que caças F-16 já haviam realizado, no domingo, incursões de 20 quilômetros dentro do território iraquiano, bombardeando campos de treinamento da guerrilha curda, enquanto 300 soldados avançavam cerca de 10 quilômetros no norte do Iraque. O Parlamento turco autorizou na semana passada o Exército a lançar ofensivas contra os rebeldes no Iraque. A Turquia enviou mais de 100 mil soldados a fronteira e advertiu que lançará uma grande incursão no Iraque contra os separatistas curdos a menos que as forcas iraquianas e americanas contenham o PKK.

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