Isenção do Brasil na censura ao Irã é coerente, diz historiador

Segundo professor de relações internacionais da UnB, postura semelhante é adotada pelo país desde 1960

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

27 Novembro 2009 | 12h21

A postura brasileira de abster-se de votar a moção de censura movida contra o Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é coerente com o posicionamento histórico do Itamaraty e não haveria motivo para mudar de posição agora. A opinião é do historiador Amado Luiz Cervo, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

 

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"Desde os anos 1960 o Brasil teve uma postura coerente sobre o assunto: a de que os países em desenvolvimento têm o direito de buscar a energia nuclear com fins pacíficos com o objetivo de galgar um estágio tecnológico mais avançado", explicou o cientista político em entrevista à Agência Estado.

 

"Trata-se de uma posição histórica e não há motivo para o Brasil abandoná-la agora. Essa postura foi inclusive reforçada pelo Lula na visita do Ahmadinejad ao Brasil", disse ele.

 

No início desta semana, ao receber o chefe de governo iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu o direito de Teerã de "desenvolver energia nuclear para fins pacíficos e com pleno respeito aos acordos internacionais".

 

Nesta sexta, em Viena, Brasil, Afeganistão, Egito, Paquistão, África do Sul e Turquia se abstiveram de votar uma resolução por meio da qual o Irã foi censurado por seu programa nuclear. Do grupo de 35 países da atual Junta de Governadores da AIEA, 25 concordaram com a resolução censurando o Irã por seu programa nuclear, segundo diplomatas. Três países votaram contra o texto: Venezuela, Malásia e Cuba.

 

Os EUA e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

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