Israel abrirá fronteira em troca de soldado refém, diz jornal

Funcionário afirma que Olmert tentará usar abertura na libertação de Gilad Shalit, detido pelo Hamas em 2006

Agências internacionais,

23 de janeiro de 2009 | 08h57

Apesar dos pedidos do presidente americano, Barack Obama, pela abertura os postos de fronteiras da Faixa de Gaza para que possa entrar ajuda humanitária e fluir o comércio na região, Israel se recusa a reabrir suas passagens fronteiriças com o território palestino por enquanto, pois quer usar isso na mesa de negociações para a libertação do soldado Gilad Shalit, capturado pelo Hamas em 2006, afirma o Financial Times em seu site nesta sexta-feira, 23, citando um funcionário israelense.   Veja também: Ofensiva aceleraria libertação de Shalit, diz Israel ONU vê 'destruição chocante' em Gaza Hamas passa a falar em negociação Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       "Nós não queremos que o tema (das fronteiras) seja tratado agora", disse o funcionário. Ele disse que o governo israelense deve estabelecer duras condições para o cessar-fogo. O Hamas estabeleceu até o próximo domingo como prazo para que as fronteiras sejam reabertas. "Se a abertura das passagens fortalecer Israel nós não o faremos", disse a fonte, que falou sob condição de anonimato. "Nós garantiremos que todas as necessidades (humanitárias) da população sejam atendidas". Porém segundo a fonte, isso não significa uma mudança da postura para lidar com o grupo militante. "Nós não tomaremos medidas que deem legitimidade ao Hamas."   Na quinta-feira, Israel deu sinais de que poderá aumentar suas concessões para libertar o cabo do Exército Gilad Shalit, sequestrado pelo Hamas em junho de 2006. Segundo autoridades israelenses, que preferiram não se identificar, em troca de Shalit o governo flexibilizaria o bloqueio a Gaza e libertaria membros do Hamas. "A operação (em Gaza) criou várias formas de pressão e influência que podem contribuir com a volta (de Shalit)", disse o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. "Depois que Gilad voltar para casa, poderemos contar toda a história." O ministro da Defesa, Ehud Barak, também afirmou que os recentes confrontos em Gaza podem "acelerar" o retorno de Shalit, mas alertou que Israel poderá ter de tomar "decisões duras" para trazê-lo de volta.   Barak provavelmente se referiu à lista de membros do Hamas que deveriam ser libertados em troca de Shalit. Ao todo, seriam cerca de 1,4 mil militantes, sendo 450 líderes da organização. Desde a captura do cabo, Israel se nega a soltar os prisioneiros, afirmando que o retorno enfraqueceria a Autoridade Palestina, de Mahmud Abbas, rival do Hamas. O governo, entretanto, já trocou militantes do Hamas por israelenses - como em 1997, quando o líder supremo do grupo, xeque Ahmed Yassin, foi trocado por dois agentes do Mossad, o serviço secreto de Israel. Segundo um funcionário israelenses ouvido pela Reuters, Olmert deseja efetuar a troca de Shalit antes de deixar o poder - as eleições gerais estão marcadas para o dia 10. Não se sabe, porém, se o gabinete de segurança de Israel aprovaria todos os nomes exigidos pelo Hamas, afirmou a fonte.   Barack Obama   Além de pedir pela reabertura das fronteiras, o presidente americano nomeou oficialmente o ex-senador George Mitchell para ser o enviado da Casa Branca ao Oriente Médio. Obama disse que Mitchell deve viajar à região "o mais rápido possível" para conseguir um cessar-fogo "duradouro" e "sustentável" entre Israel e o grupo palestino Hamas.   O enviado de Obama, de 75 anos, é filho de mãe libanesa e pai irlandês e cresceu falando árabe. Durante o governo Clinton, foi enviado especial à Irlanda do Norte e costurou um acordo entre os unionistas e os republicanos do Sinn Fein, estabelecendo uma série de condições que ficaram conhecidas como "Princípios Mitchell". "A política do meu governo será buscar ativamente a paz entre Israel e palestinos e entre Israel e os vizinhos árabes", disse Obama. "Para isso, o Hamas deve pôr fim ao lançamento de foguetes e Israel completar a retirada de suas forças de Gaza."   Obama espera que Mitchell seja capaz de estabelecer um novo conjunto de princípios que permitam que o Hamas - ou pelo menos uma ala política do grupo, como foi o Sinn Fein, que atuou separadamente do Exército Republicano Irlandês (IRA) - tenha um lugar à mesa de negociações. Se isto acontecer, o Hamas será pressionado a usar as mesmas três condições atualmente impostas por Israel, Europa e EUA: que reconheça Israel, renuncie à violência e concorde em obedecer aos acordos anteriores. "Há muitas razões para ser cético", disse Mitchell sobre a dificuldade de se conseguir um acordo de paz entre israelenses e palestinos. "Mas o presidente e a secretária de Estado não pensam assim. Eles acreditam, como eu, que a busca da paz é muito importante e exige nosso esforço máximo, apesar das dificuldades e dos tropeços."   Frustração do Hamas   O movimento palestino Hamas expressou nesta sexta-feira frustração com os comentários do presidente americano, que pediu ao grupo islâmico que parasse de lançar foguetes contra Israel. "Parece que Obama vai continuar com as mesmas políticas do governo anterior, sem considerar os erros de antes", afirmou o principal dirigente do Hamas no Líbano, Osama Hamdan, em declarações feitas ao canal de televisão Al Jazira.   Hamdan disse ainda que a Casa Branca deve introduzir mudanças em sua política para o Oriente Médio se quiser evitar o fracasso. "Este é um começo pouco bem-sucedido. Se essa política não mudar, os próximos quatro anos serão de um completo fracasso", disse o dirigente do Hamas no que foi a primeira reação do grupo após os comentários de Obama.

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