Israel aceita trégua com Hamas na Faixa de Gaza

Acordo exige suspensão de ataques palestinos aos povoados fronteiriços e o fim do bloqueio israelense

Agências internacionais,

18 de junho de 2008 | 06h36

Israel confirmou nesta quarta-feira, 18, que aceitou a proposta egípcia para uma trégua com as milícias palestinas na Faixa de Gaza, que entrará em vigor às 6 horas (0h de Brasília) desta quinta-feira. Foguetes disparados da Faixa de Gaza por militantes palestinos mataram sete israelenses no último ano. No mesmo período, ataques aéreos israelenses mataram 400 palestinos.   Veja também:   Israel e Hamas fecham acordo para cessar-fogo em Gaza   Israel quer iniciar conversas de paz diretas com o Líbano   A confirmação foi feita no mesmo dia em que Israel pediu para que o Líbano aceite dialogar por um acordo de paz. O cessar-fogo em Gaza será seguido ainda pela redução gradativa e parcial do bloqueio ao território palestino em troca do fim dos disparos de foguetes. As negociações pela libertação do soldado detido pelo Hamas serão intensificadas, segundo afirmou o porta-voz do governo Mark Regev.   "Israel aceitou a proposta egípcia e esperamos que isto derive em um cessar-fogo total do lançamento de foguetes contra as cidades israelenses no sul", disse David Baker, do Escritório de Imprensa do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. "Os cidadãos israelenses sofreram tempo demais", acrescentou Baker, que se mostrou esperançoso que "este acordo leve a calma à região". Baker não quis dar detalhes sobre os compromissos de cada parte em troca do cessar-fogo.   Tanto Cairo, que intermediou durante meses o pacto, como o movimento islâmico Hamas, que controla a região, anunciaram na terça-feira que tinham chegado a um acordo, embora Israel não o tivesse confirmado oficialmente até esta quarta-feira. Os termos do acordo exigem das milícias armadas palestinas a suspensão de seus ataques aos povoados fronteiriços na região, enquanto que Israel se compromete a finalizar o bloqueio que impôs a Gaza em junho de 2006 e a abrir progressivamente os postos fronteiriços com esse território.   Segundo a BBC, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, condicionou essas medidas à paz na região. "Quando a calma começar na Faixa, se ela começar, é difícil saber quanto tempo ela vai durar", disse ele, segundo o jornal israelense Haaretz.  O ministro israelense do Interior, Meir Sheetrit, que também é membro do gabinete de segurança do país, disse estar "bastante cético" com relação à capacidade do Hamas de fazer valer o cessar-fogo entre os grupos militantes. "A idéia é um cessar-fogo completo - nenhum ataque de nenhum dos lados... se houver alguma violação do acordo, o governo estará livre para agir com força total", disse.   O dirigente do grupo islamita Hamas Mahmoud Zahar assegurou na terça-feira em entrevista coletiva em Gaza que a cessação das hostilidades será de "seis meses", e que "Israel retirará gradualmente as sanções e reabrirá todos os cruzamentos fronteiriços", que mantém impermeáveis desde que há 12 meses o Hamas tomou pelas armas este território palestino. Segundo Zahar, todas as passagens serão reabertas exceto a do terminal fronteiriço de Rafah, no sul da faixa e que faz limite com o território egípcio. Também disse que o Egito tentará conseguir que seja aplicado um acordo de trégua similar na Cisjordânia no prazo de seis meses.   Zahar acrescentou que continuará negociando com Israel para conseguir uma troca de prisioneiros, no qual se espera que os islamitas libertem o soldado israelense Gilad Shalit, capturado em junho de 2006 por milícias palestinas de Gaza.   "Todos sabem da situação em Gaza, cujos 1,5 milhão de habitantes vivem na miséria absoluta", disse o primeiro-ministro palestino Salam Fayyad. "Nossa esperança é que (o cessar-fogo) leve à melhora dessas condições."   O cessar-fogo também pode dar ao Hamas a oportunidade de atualizar seu armamento, treinar combatentes e aumentar a popularidade do grupo entre os palestinos, com a liberação de entradas e saídas pela fronteira de Gaza   Matéria ampliada às 10h30.

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