Israel acredita que Irã retomou programa nuclear de armas

Ministro israelense contradiz relatório americano que afirma que Teerã suspendeu programa atômico em 2003

REUTERS

04 de dezembro de 2007 | 07h24

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, afirmou nesta terça-feira, 4, que o Irã provavelmente retomou seu programa de armas nucleares, contradizendo um relatório da inteligência dos Estados Unidos, segundo o qual o programa teria sido congelado em 2003.   Veja também: Democratas querem revisão da política americana para o Irã   A nova estimativa da Inteligência norte-americana surpreendeu aliados e inimigos dos EUA ao dizer que o Irã suspendeu em 2003 seu programa de armas nucleares. Durante anos, Washington acusou Teerã, com retórica cada vez mais dura, de tentar desenvolver bombas atômicas.   O governo iraniano se apressou em elogiar o relatório, divulgado na segunda-feira, tratando-o como prova definitiva daquilo que a República Islâmica diz há anos: que seu programa nuclear é pacífico, voltado apenas para a geração de eletricidade com fins civis.   "Parece que o Irã suspendeu em 2003, por um certo período de tempo, seu programa militar nuclear, mas, pelo que sabemos, o país provavelmente retomou-o", disse Barak à Rádio do Exército. Segundo o ministro, tais documentos são "feitos em um clima de alta incerteza".   Israel já disse que uma arma nuclear iraniana poderia representar um risco à existência do Estado judaico - país que se acredita ser o único a possuir um arsenal nuclear no Oriente Médio.   Sanções internacionais   O relatório poderá dificultar os esforços dos EUA para convencer outras potências a concordar com mais sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Irã. As sanções seriam pela recusa do país em interromper atividades de enriquecimento de urânio.   O Reino Unido, que costuma seguir a posição dos EUA nessa questão, disse que vai continuar pressionando por mais clareza. "Achamos que as conclusões do relatório justificam as ações já tomadas pela comunidade internacional tanto para mostrar a extensão e tentar restringir o programa nuclear do Irã quanto para aumentar a pressão sobre o regime para parar suas atividades de enriquecimento e reprocessamento (de urânio)", disse um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown.   As potências mundiais se reuniram no sábado passado em Paris para discutir uma nova rodada de sanções contra o Irã devido à sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio, processo que pode gerar combustível para usinas nucleares ou, com grau maior de purificação, material para bombas nucleares. A ONU já impôs dois pacotes de sanções contra o programa nuclear iraniano.   Em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse que no novo relatório dos EUA, as conclusões dos inspetores da agência nos últimos anos a respeito do Irã são fortalecidas.

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