Israel acusa palestinos de planejarem assassinato de Olmert

Uma fonte do governo disse que Israel decidiu revelar o complô agora porque a polícia libertou os suspeitos

21 de outubro de 2007 | 17h29

O diretor da polícia de segurança do Shin Bet (serviço de inteligência de Israel), Yuval Diskin, disse em depoimento ao gabinete de governo do país que pistoleiros ligados ao partido palestino Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina IANP, Mahmoud Abbas, pretendiam assassinar o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, quando ele visitou Jericó, na Cisjordânia, ocupada em 6 de agosto deste ano. Ao saber do plano, o governo de Israel informou a ANP que prendeu três militantes do Fatah; outros dois estão sob custódia da polícia israelense. Diskin não esclareceu por que Israel permitiu que as forças de segurança da ANP se encarregassem de prender os supostos participantes do complô, quando suas próprias tropas atuam sem restrições no território palestino ocupado da Cisjordânia. Uma fonte do governo Olmert disse que Israel decidiu revelar o complô agora porque a polícia da ANP libertou os militantes suspeitos. A Rádio do Exército de Israel disse que Olmert vai comparecer ao encontro de cúpula com Abbas, que está sendo articulado pelo governo dos EUA, apesar das notícias sobre o complô. "Israel não vai olhar para o outro lado, mas nós não vamos suspender o diálogo", disse o primeiro-ministro à emissora. Os palestinos, porém, têm dito que não há razão para realizar um encontro de cúpula se ele não tratar de maneira séria de questões pendentes que impediram conversações anteriores: a definição de fronteiras definitivas, a questão dos assentamentos de colonos israelenses em terras palestinas na Cisjordânia, a questão dos refugiados palestinos (forçados a deixar suas terras à medida que os judeus invadiam a região, após a II Guerra Mundial, e mais tarde) e o status de Jerusalém (que, de acordo com as resoluções da ONU, deveria ser uma cidade sob jurisdição internacional, mas que Israel ocupou totalmente depois da Guerra dos Seis dias, em 1967). Pelo menos dois integrantes da coalizão de governo liderada por Olmert declararam que vão se retirar do governo, forçando a realização de novas eleições, caso o primeiro-ministro aceite discutir essas questões com Abbas. O ministro de Assuntos Estratégicos, Avigdor Lieberman, do partido Yisrael Beiteinu, disse que "esse governo não será capaz de continuar" se Olmert aceitar dialogar com os palestinos sobre aqueles assuntos. A mesma posição seria defendida pelo ministro de Indústria e Comércio, Eli Yishai, do partido Shas. Os dois se reuniram na semana passada com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice.

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