Israel admite erros de abordagem militar em ataque à frota humanitária

Soldados estavam em menor númeroo e cometeram erros de tática, apesar de estarem armados

Reuters

01 de junho de 2010 | 12h52

Soldado israelense é resgatado após investida contra a frota.

 

JERUSALÉM - Erros na inteligência, erros com equipamentos, erros nas táticas. Militares israelenses reconheceram grandes erros nesta terça-feira, 1º, durante a abordagem de uma frota que levava ajuda humanitária à Gaza e que resultou na morte de pelo nove ativistas.

 

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Embora os israelenses tenham recebido seus soldados contrariando a fúria de estrangeiros, a recriminação interna - com termos como "Confusão" e "Fiasco" dominando as manchetes dos jornais - abriu uma erosão na confiança da população, recordando as derrotas da guerra do Líbano em 2006.

 

Um comentarista israelense pediu a demissão do ministro da Defesa Ehud Barak. Os membros do governo prometerem investigar, mas sua insistência de que os ativistas pró-palestinos provocaram o derramamento de sangue encontrou com um público israelense enfurecido.

 

Comandos da Marinha envolvidos no ataque apontavam para uma falha de inteligência. "Nós não esperávamos essa resistência dos ativistas do grupo, já que estávamos falando de um grupo de ajuda humanitária", disse o comandante da equipe de embarque, um tenente da Marinha anônimo que recebeu permissão especial para ser entrevistado, à rádio do Exército

 

"O desdobramento foi diferente daquele que havíamos imaginado, mas devo dizer que isso se deveu principalmente ao comportamento inapropriado do adversário que encontramos".

 

Embora a polícia de Israel tenha feito uma "quarentena" com ativistas da Marmara Mavi impedindo a veiculação de depoimentos divergentes, um vídeo filmado por um dos passageiros do navio invadido mostrou dois marines sendo levando socos.

 

O Exército israelense também divulgou imagens de visão noturna de uma meia dúzia de soldados lutando contra cerca de 30 ativistas.

 

As imagens atiçaram sentimentos de descrença em Israel. Sob a sombra das fábulas de suas façanhas no silêncio no mar, os soldados que assaltaram o navio Marmara Mavi pareciam impróprios para o tumulto - em menor número, quase dominados, embora não menos armados.

 

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Jason Alderwick, um especialista em guerra marítima no London's International Institute for Strategic Studies, criticou a Marinha por não ter comandando o navio com mais eficiência.

 

"O sucesso começa com o planejamento e com uma inteligência decente, e eles já haviam abordado esses tipos de navios antes", disse. "Desta vez eles não foram duros o suficiente, rápidos o suficiente e em número o suficiente para estabelecer o controle."

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