Israel alerta para riscos de Irã armado nuclearmente

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse durante encontro de chefes militares, nesta segunda-feira, que Israel consideraria um Irã com poder nuclear como uma "ameaça existencial" que aceleraria uma corrida armamentista na região. O porta-voz militar de Israel divulgou os comentários de Barak após o diretor da agência da ONU para fiscalização nuclear dizer que o trabalho para o desarmamento nuclear mundial estava sendo dificultado pela percepção entre os árabes de que Israel não estaria respeitando o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Barak disse em encontro fechado com chefes militares durante sessão estratégica que, se o Irã obter armas atômicas, se colocará como "uma ameaça central para a ordem mundial", disse o comunicado. Ele disse que isso "aceleraria dramaticamente a proliferação nuclear na região". Acredita-se que Israel possua o único arsenal nuclear do Oriente Médio, mas o país nunca confirmou esses rumores ou a realização de testes com armas nucleares. Israel tem denunciado o programa nuclear iraniano como uma ameaça a sua existência e também citou comentários feitos pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, de que Israel deveria desaparecer do mapa. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou Teerã para sanções mais duras se não interromper seu polêmico programa nuclear, mas em contraste com seu antecessor George W. Bush, disse na última semana acreditar na possibilidade de aberturas diplomáticas com o Irã. O Irã alega que seu programa nuclear tem fins pacíficos, para geração de eletricidade. Escrevendo no jornal International Herald Tribune nesta segunda-feira, Mohamed ElBaradei, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU, se referiu à percepção árabe de Israel no contexto dos esforços do desarmamento nuclear global. "O regime de não-proliferação nuclear perdeu sua legitimidade aos olhos da opinião pública árabe, devido à percepção de critérios ambíguos relativos a Israel". ElBaradei disse que Israel é "o único país da região fora do tratado e que possuía armas nucleares", se referindo ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear nunca assinado por Israel. (Reportagem de Allyn Fisher-Ilan)

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