Israel alvejou civis em Gaza, diz relatório da ONU

Investigadores da ONU disseram na segunda-feira que Israel violou diversos direitos humanos na recente invasão da Faixa de Gaza, o que inclui atacar civis e usar uma criança como escudo humano.

ROBERT EVANS, REUTERS

23 de março de 2009 | 18h01

As acusações constam em relatórios submetidos ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, que exigiram também um fim imediato às restrições israelenses para o abastecimento humanitário de Gaza e uma investigação internacional sobre o conflito.

"Alvos civis, particularmente casas e seus ocupantes, parecem ter recebido o grosso dos ataques, mas escolas e instalações médicas também foram atingidas", disse o relatório assinado por Radhika Coomaraswamy, representante especial do secretário-geral para a questão da infância nos conflitos armados.

A advogada nascida no Sri Lanka, que visitou a região no começo de fevereiro, citou diversos incidentes para corroborar suas acusações.

Num deles, contou a relatora, soldados israelenses alvejaram um pai de família após ordenarem que ele saísse da casa, e em seguida dispararam contra o cômodo onde o resto da família se abrigava, ferindo a mãe e três irmãos, e matando um quarto.

Em outro incidente, em 15 de janeiro, na localidade de Tal Al Hawa, a sudoeste da Cidade de Gaza, soldados israelenses forçaram um menino de 11 anos a andar várias horas adiante deles pela cidade, mesmo depois de o grupo ser alvejado.

Um comandante israelense que participou da ação militar de 22 dias em Gaza disse na segunda-feira que os esforços israelenses para protegerem os soldados dos disparos dos militantes palestinos podem ter contribuído para o número de mortes civis.

"Se vocês querem saber se eu acho que ao fazê-lo matamos inocentes, a resposta é inequivocamente sim", disse à Reuters o general da reserva Tzivka Fogel, ressalvando que tais incidentes eram exceção.

As declarações de Coomaraswamy fazem parte de um relatório muito mais longo, de autoria de nove investigadores da ONU, inclusive especialistas nos direitos a saúde, alimentação, habitação e educação, ou em questões de execuções sumárias e violência contra mulheres.

Todos eles citaram violações de Israel, e em alguns casos do movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Israel diz que iniciou os bombardeios por mar, ar e terra, em 27 de dezembro, para tentar impedir o Hamas e seus aliados de lançarem foguetes contra o território israelense. O confronto durou até 17 de janeiro.

Autoridades palestinas dizem que 1.434 pessoas morreram em Gaza, sendo 960 civis -- cifras que Israel contesta. O relatório dos nove investigadores citou um total de 1.440, sendo 431 crianças e 114 mulheres.

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