Israel ameaça ampliar ofensiva na Faixa de Gaza

Tanques israelenses na Faixa de Gaza e militantes do Hamas lançaram foguetes contra Israel neste sábado. Os dois lados ignoraram os chamados internacionais para o fim do conflito e Israel advertiu que pode intensificar seu ataque. As forças israelenses mataram pelo menos 19 pessoas, incluindo oito membros de uma família no norte da Faixa de Gaza, disse o Ministério da Saúde, dirigido pelo Hamas. Com isso, eleva-se para 830 o número de palestinos mortos em 15 dias de conflito. Treze israelenses foram mortos desde o início da ofensiva em 27 de dezembro, dos quais três eram civis atingidos por disparos de foguetes e os demais, 10 soldados. No Egito, esforços do presidente egípcio, Hosni Mubarak, para mediar um cessar-fogo mostraram poucos sinais de progresso. No sul de Gaza, a aviação israelense despejou folhetos avisando os moradores que está prestes a intensificar sua ofensiva terrestre e aérea. Israel afirmou que um ataque aéreo perto do campo de refugiados de Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, matou Amir Mansi, um comandante de alto escalão do Hamas. Funcionários do serviço médico palestino disseram que um adulto e duas crianças foram mortos, mas não ficou claro o estado de Mansi. Israel negou ter disparado a bomba que matou oito membros da família Abu Rayya no campo de Jabaliya, pela manhã. Os combates prosseguiam mesmo durante um intervalo de três horas de cessar-fogo que Israel tem mantido nos últimos dias para permitir a chegada de ajuda humanitária essencial para o 1,5 milhão de moradores do território. Enquanto os tanques israelenses avançavam no norte de Gaza e a aviação disparava contra alvos ao longo do território, foguetes do Hamas atingiam a cidade de Ashkelon, situada 20 quilômetros ao norte de Gaza. Três israelenses ficaram feridos. "O Exército de Israel vai continuar a atacar túneis, depósitos de armas e terroristas, com força crescente em toda a Faixa de Gaza", diziam os folhetos israelenses despejados sobre o campo de refugiados de Rafah, perto da fronteira com o Egito. Preocupada com o crescente impacto humanitário da guerra, e considerando que mais de metade da população de Gaza depende de sua ajuda alimentar, as Nações Unidas afirmaram que esperam retomar a distribuição integral de víveres depois de receber garantias de Israel de que suas equipes não sofrerão danos. Um motorista da ONU foi morto na quinta-feira. Israel tem seguido com sua ofensiva apesar de resolução do Conselho de Segurança da ONU pedindo um cessar-fogo e dos esforços de mediação do Egito, alegando que seu objetivo é impedir o Hamas de lançar foguetes. O Hamas também ignorou os chamados para o fim das hostilidades e lançou cerca de uma dezena de foguetes contra Israel neste sábado. Uma unidade de tanques israelenses avançou do norte do território em direção à cidade de Gaza. Em conversas particulares, diplomatas acreditam que a iniciativa de mediação do Egito, também apoiada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, enfrenta problemas. Israel exige a completa interrupção dos disparos de foguetes por parte do Hamas e garantias regionais e internacionais de que o grupo será impedido de rearmar-se via túneis usados para contrabando, sob a fronteira de Gaza como Egito. Israel se queixa há tempos de que os egípcios não fazem o bastante para evitar que o Hamas construa um arsenal de mísseis de design soviético. O Hamas quer que qualquer acordo de cessar-fogo inclua o fim do bloqueio de Israel à economia da Faixa de Gaza e a saída de todas as forças israelenses do território - do qual Israel se retirou em 2005, depois de 38 anos de ocupação. (Reportagem adicional de Adam Entous e Allyn Fisher-Ilan em Jerusalem e Hans-Edzard Busemann e William Rasmussen no Cairo)

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