Israel ameaça excluir UE de processo de paz após críticas

Europeus concordam em adiar reunião com governo israelense para dar mais tempo para formação de proposta

Efe e Associated Press,

30 de abril de 2009 | 12h00

A diplomacia israelense advertiu a embaixadores comunitários em Tel Aviv que a União Europeia (UE) "não poderá fazer parte" do diálogo com os palestinos se continuar criticando o governo de Benjamin Netanyahu, informou nesta quinta-feira, 30, o jornal Haaretz. Israel disse que a UE aceitou um pedido do governo de adiar uma reunião de cúpula para dar ao premiê mais tempo para formular sua política de paz para o Oriente Médio.

 

O adiamento ocorreu antes de uma viagem do ministro do Exterior israelense, Avigdor Lieberman, para a Europa na próxima semana. Os comentários de Lieberman sobre os árabes e o processo de paz fizeram aumentar as preocupações internacionais sobre essas questões. Netanyahu tem se negado a endossar o plano de um Estado palestino independente, pedra fundamental das políticas ocidentais para a região. Espera-se que ele divulgue sua política externa antes de viajar para Washington, em meados de maio. O Ministério do Exterior disse que a UE concordou em transferir a cúpula entre Israel e Europa de maio para junho. Lieberman e ministros do Exterior europeus devem participar do encontro.

 

"Israel está pedindo à Europa que diminua o tom e tenha um diálogo discreto. No entanto, se estas declarações continuarem, a Europa não poderá fazer parte do processo diplomático, e todos os lados sairão perdendo", disse o vice-diretor para o continente do Ministério de Exteriores israelense, Rafi Barak, segundo o jornal.

 

O alvo das críticas israelenses é a comissária de Relações Exteriores europeia, Benita Ferrero-Waldner, que defendeu o congelamento a ampliação das relações entre o bloco e Israel diante da recusa de Netanyahu de aceitar publicamente a criação de um Estado palestino como solução ao conflito do Oriente Médio. A UE decidiu no ano passado ampliar suas relações com o Estado judeu, mas o projeto está parado desde a ofensiva israelense em Gaza no começo do ano, na qual morreram cerca de 1.400 palestinos, em sua maioria civis.

 

Ferrero-Waldner disse na semana passada em Bruxelas que não é "a ocasião adequada para ampliar o atual nível das relações", em razão da "clara falta de compromisso do novo governo (israelense) para prosseguir com as negociações com os palestinos". "Há semanas estamos dizendo a todos na Europa que o governo de Israel precisa de tempo para reformular suas políticas, em vez de começar uma guerra na imprensa", disse o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, que demonstrou seu mal-estar pelas críticas de ministros europeus e altos funcionários da UE ao novo Executivo, de maioria direitista.

 

Barak insistiu em que seu país quer que a UE seja um "parceiro" no processo diplomático, por isso "é importante manter um diálogo discreto e maduro e não recorrer a declarações públicas". O porta-voz do Ministério de Exteriores israelense, Yigal Palmor, confirmou que aconteceram "conversas por telefone" com embaixadores europeus nas quais se pediu uma "linha única e coerente" na política comunitária a respeito a Israel, mas negou que houvesse "ameaças". "Se a UE não tem uma posição coerente será objetivamente difícil manter um trabalho comum", advertiu.

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