Israel ameniza bloqueio e envia combustível a Gaza

Óleo diesel - que será usado em gerador - e medicamentos serão autorizados apenas nesta terça

Agências internacionais,

21 de janeiro de 2008 | 16h37

Israel permitirá a entrada de óleo diesel e medicamentos na Faixa de Gaza, um dia depois de uma grande porção do território costeiro ficar às escuras, informou o Ministério da Defesa nesta segunda-feira, 21. Ainda assim, os carregamentos só serão permitidos na terça-feira, 22.   Liga Árabe se reúne para discutir crise em Gaza Olmert: moradores de Gaza terão de andar a pé ONU alerta para possível falta de alimentos   Segundo fontes israelenses, a decisão foi tomada pelo próprio ministro da Defesa, Ehud Barak.   Mais cedo nesta segunda, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, ligou para Barak e para o premiê israelense, Ehud Olmert, para pedir que os líderes aliviassem o bloqueio aos palestinos. A decisão de fechar as fronteiras com a Faixa de Gaza e interromper o envio de combustível ao território é uma resposta do governo israelense aos constantes ataques com foguetes perpetrados por militantes palestinos contra o sul de Israel.   "Estamos trabalhando para prevenir uma crise humanitária em Gaza. A política israelense nunca foi punir os civis palestinos pelo comportamento de sua liderança - Israel é o único país no mundo que fornece eletricidade para grupos terroristas que o ataca com foguetes", disse a chanceler israelense, Tzipi Livni.   A Faixa de Gaza foi tomada em junho do ano passado por militantes do grupo islâmico Hamas, que após meses de brigas internas expulsaram seus rivais da facção laica Fatah da região. Eleito para governar os palestinos em janeiro de 2006, o Hamas foi alvo de um boicote internacional naquele ano, levando a um acordo de divisão de poder com o Fatah. Com os acontecimentos de junho, os territórios palestinos - a Cisjordânia e a Faixa de Gaza - ficaram divididos: o Hamas, que prega a destruição de Israel, controla Gaza, e o Fatah, que atualmente negocia um acordo de paz com o Estado judeu, é soberano na Cisjordânia.   A decisão de retomar o envio de combustível e de parte da ajuda humanitária a Gaza veio após declarações de altos funcionários da ONU, que alertaram para o agravamento da crise humanitária na região caso a ajuda enviada pelas agências da instituição não cheguem à população palestina.   O resultado mais imediato da política israelense pôde ser sentido neste fim de semana, quando mais de 1,5 milhão de pessoas ficaram sem eletricidade em Gaza. A única usina de produção de energia da região funciona com combustível fornecido por Israel. Com o cerco foi imposto na sexta-feira, as reservas de óleo diesel minguaram, fazendo com que vários estabelecimentos ficassem fechados. Segundo autoridades palestinas, havia o risco de os hospitais de Gazae ficarem sem energia.   Defesa do cerco   Antes de anunciar a permissão temporária para o envio de bens de primeira necessidade à Gaza, Olmert foi enérgico ao defender o bloqueio.   Em discurso a membros do seu partido Kadima, o premiê disse que embora não irá permitir uma crise humanitária em Gaza, os moradores da região não terão uma vida "prazerosa e confortável" enquanto o sul de Israel continuar sob o ataque de foguetes.   "Até onde eu sei, os moradores de Gaza podem andar. Eles não têm combustível para seus carros porque têm um regime terrorista assassino que não permite que os moradores do sul de Israel vivam em paz", disse Olmert.  

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