Israel amplia ofensiva contra o Hamas e convoca tropas

É o mais violento ataque ao grupo extremsita já lançado; militar diz que se trata de 'guerra entre Estados'

AP,

28 de dezembro de 2008 | 19h14

Israel ampliou a mais letal ofensiva já lançada contra o governo do Hamas na Faixa de Gaza, bombardeando túneis usados para o contrabando de armas e uma importante prisão, enviando tanques e artilharia para a fronteira e aprovando uma convocação de reservistas das Forças Armadas pra uma possível invasão por terra.   Veja também: Centenas de palestinos violam fronteira com o Egito Ataques em Gaza interrompem conversas de paz com a Síria No mundo islâmico, multidões protestam contra Israel Israel aprova convocação de reservistas para ofensiva em Gaza Abbas: ataques podiam ser evitados; Olmert promete 'firmeza' Ministros árabes se reúnem na 4ª para discutir ataques a Gaza ONU pede cessar fogo imediato de Israel na Faixa de Gaza Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Ofensiva israelense deve sepultar esforço de paz Hamas pede nova Intifada contra Israel após ataques Itamaraty condena 'reação desproporcional' de Israel Veja imagens de Gaza após os ataques       Líderes israelenses dizem que a campanha prosseguirá, a despeito dos protestos populares no mundo islâmico e a decisão da Síria de interromper as negociações de paz mediadas pela Turquia. A chancelaria israelense afirma que o objetivo é impedir para sempre o disparo de foguetes a partir de gaza contra solo de Israel, mas não reocupar o território.   Com o total de mortos superando os 290, multidões de moradores de Gaza violaram a fronteira egípcia, buscando fugir do caos.   Soldados israelenses aguardam ordens na fronteira com a Faixa de Gaza. AP   O Hamas ficou combalido, mas não foi neutralizado. Disparou mísseis neste domingo que foram mais fundo no território israelense que nunca antes, chegando perto da cidade portuária de Ashod, e continua a comandar cerca de 20 mil combatentes. Mas os líderes da organização foram forçados a se esconder, a maioria dos mortos é das forças do Hamas e a inteligência militar israelense diz que a capacidade  do grupo de disparar mísseis caiu em 50%. De fato, os disparos de foguete caíram abruptamente, de mais de 130 no sábado para pouco mais de 20 no domingo.   Os bombardeios incessantes de Israel - cerca de 300 operações aéreas desde o meio-dia de sábado - causaram uma destruição sem precedentes em Gaza, reduzindo edifícios inteiros a escombros.    Shlomo Brom, um ex-alto oficial militar israelense, disse que esta é a força mais letal usada em décadas de conflito palestino-israelense. "Desde que o Hamas tomou Gaza (em junho de 2007) isso se tornou uma guerra entre dois Estados, e na guerra entre Estados, mais força é usada", disse.   No ataque mais dramático deste domingo, aviões bombardearam dezenas de túneis que passam por baixo da fronteira entre gaza e o Egito, cortando uma linha de comunicação que mantinha o Hamas abastecido de armas e a população civil, de bens de consumo. O influxo de contrabando pelos túneis permitiu ao Hamas desafiar o bloqueio econômico de 18 meses imposto por Israel e pelo Egito.   Mais cedo, aviões de guerra soltaram três bombas sobre um dos principais complexos de segurança do Hamas na Cidade de Gaza, que incluía um bloco de prisão. Momentos após as explosões, prisioneiros frenéticos foram vistos emergindo dos escombros.   Os nove hospitais de Gaza estão superlotados com baixas. O Centro Palestino de Direitos Humanos, que faz levantamentos em todos os hospitais, havia contabilizado 251 mortos até o meio-dia deste domingo. Entre eles, 20 crianças com menos de 16 anos e nove mulheres.   Líderes israelenses falaram á mídia internacional em busca de apoio.O ministro da Segurança Pública, Avi Dichter, falou em árabe para estações de TV árabes e atacou o governo do Hamas. A chanceler Tzipi Livni disse à rede americana NBC que o ataque veio porque o Hamas estava usando de contrabando para construir "um pequeno exército".   Em Jerusalém, o gabinete israelense aprovou a convocação de 6,5 mil reservistas, em aparente preparação para uma ofensiva terrestre. Israel já dobrou o total de soldados na fronteira com Gaza desde sábado, e também enviou para a área uma bateria de artilharia. Não está claro, porém, se a escalada é uma tentativa de pressionar o Hamas ou se existe já a determinação de lançar uma invasão por terra. 

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