Israel apresenta supostas provas de que armas vieram do Irã

Navio apreendido pela marinha israelense carregava toneladas de armamentos destinados ao Hezbollah

Agência Estado e Associated Press,

11 Novembro 2009 | 13h11

O governo de Israel divulgou nesta quarta-feira, 11, documentos e fotografias que supostamente constituem provas de que um carregamento de armas interceptado na semana passada no Mar Mediterrâneo era procedente do Irã.

 

Na semana passada, comandos israelenses interceptaram o navio Francop, com bandeira de Antígua e Barbuda, perto da costa de Chipre. A embarcação transportava uma carga de armas que, segundo Israel, estava a caminho da Síria para depois ser encaminhada ao braço armado do grupo islâmico libanês Hezbollah.

 

O governo israelense imediatamente acusou o Irã de ter despachado as armas, mas não havia apresentado provas até agora. Nesta quarta, o exército e a chancelaria israelenses divulgaram o que afirmaram ser evidências para sustentar a acusação e detalharam o tamanho da carga de armas.

 

"Escondida entre dezenas de outros contêineres a bordo e disfarçada como carga civil, as armas estavam em 36 contêineres com 500 toneladas de armas a caminho da Síria para serem enviadas posteriormente à organização terrorista Hezbollah no

Líbano", informaram o exército e o Ministério das Relações Exteriores de Israel por meio de comunicado conjunto.

 

"Um total de 9 mil morteiros de diferentes tipos foi apreendido, assim como cerca de 3 mil cápsulas de artilharia Katyusha, 3 mil projéteis, 20 mil granadas e mais de meio milhão de cartuchos de armas comuns." De acordo com a nota, milhares de armas e munições de fabricação iranianas estão entre as peças apreendidas.

 

Também foram apresentadas fotografias da declaração de carga do navio, de contêineres com o logotipo das Linhas de Carga da República Islâmica do Irã e de carga com selos alfandegários das forças armadas iranianas. Há ainda fotografias de caixas com foguetes com a inscrição "peças de buldôzeres", sugerindo uma tentativa de disfarçar a natureza militar da carga.

 

O embaixador sírio na ONU, Bashar al-Ja'afari, qualificou as acusações israelenses de "uma ultrajante mistura de mentiras", e acusou o Estado judeu de praticar pirataria ao apreender a embarcação Francop, com bandeira de Antígua. Tanto o Irã quanto o Hezbollah negam ter alguma forma de envolvimento com a carga.

 

Acusações

 

Os EUA acusaram o Irã de contrabandear as armas para os guerrilheiros libaneses, assim como O Reino Unido manifestou preocupação com a descoberta de Israel.

 

A acusação dos EUA foi feita numa reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU, mas diplomatas disseram que de imediato não se espera nenhuma medida do Conselho. O caso, no entanto, deve ser submetido a uma comissão encarregada de monitorar o cumprimento de uma resolução que proíbe exportações iranianas de armas.

 

Um funcionário americano disse que o embaixador dos EUA na ONU, Alejandro Wolff, apontou no caso uma "violação da resolução 1.747, (com) evidência inequívoca de uma proliferação desestabilizadora de armas na região".

 

Já o embaixador-adjunto da Grã-Bretanha, Philip Parham, manifestou a "seriíssima preocupação" de Londres com o caso, mas disse que por enquanto há apenas uma "sugestão de que o Irã tenha sido apanhado exportando armas ilegalmente".

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