Israel aprova construção de novo assentamento na Cisjordânia

Negociador palestino acusa israelenses de minar processo de paz e espera que EUA pressionem contra a decisão

Agência Estado e Associated Press,

24 de julho de 2008 | 11h06

Uma comissão governamental israelense aprovou nesta quinta-feira, 24, a construção de um novo assentamento judaico na Cisjordânia, informou uma fonte no Ministério da Defesa de Israel. A medida sobre o assentamento de Maskiot enfureceu dirigentes palestinos, segundo os quais a aprovação representa um golpe contra os esforços de paz. Com a aprovação, resta somente a assinatura do ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, que teria sinalizado recentemente a intenção de aprovar o plano dentro de algumas semanas, comentou a fonte. O funcionário do Ministério da Defesa conversou sob condição de anonimato porque o anúncio formal ainda foi feito. O assentamento deverá ser construído em uma área do Vale do Rio Jordão próxima da fronteira entre Israel e Jordânia. Israel anunciou originalmente a construção de Maskiot em 2006, mas congelou o plano em meio a críticas por parte da comunidade internacional. No início deste ano, porém, nove famílias israelenses instalaram trailers na região. O negociador palestino Saed Erekat acusou Israel de minar os esforços de paz patrocinados pelos Estados Unidos. Os palestinos reivindicam a Cisjordânia como parte de seu futuro Estado independente. "Isso destrói a perspectiva de uma solução com dois Estados", criticou Erekat. "Espero que os americanos façam os israelenses revogarem essa decisão." A Embaixada dos Estados Unidos em Tel-Aviv não se pronunciou sobre o desdobramento. Mas em junho, durante visita à região, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, advertiu que a construção de assentamentos por parte de Israel "tem o potencial de prejudicar as negociações". No fim de 2007, quando as negociações de paz foram retomadas depois de um hiato de sete anos, Israel comprometeu-se a não construir novos assentamentos na Cisjordânia. Questionado sobre o assunto, o porta-voz do governo israelense, Mark Reguev, assegurou que "Israel cumprirá sua palavra" e observou que Barak ainda não aprovou formalmente a construção. Ele não entrou em detalhes, mas Israel historicamente apresenta interpretações bem diferentes daquelas da comunidade internacional com relação à expansão de assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados. As famílias que vivem hoje em Maskiot são formadas por colonos retirados de Gaza três anos atrás. Quando desmantelou os assentamentos judaicos de Gaza, Israel comprometeu-se a não reassentá-los na Cisjordânia. Como a maioria dos colonos, os ocupantes de Maskiot são judeus ortodoxos que acreditam que Deus deu a Cisjordânia ao povo judeu. Enquanto isso, um grupo de 20 colonos judeus atacou um povoado palestino na Cisjordânia nesta quinta-feira, depredando carros, estilhaçando janelas e cortando fios de distribuição de energia elétrica, informou a polícia local. Não há informações imediatas sobre vítimas. O povoado atacado chama-se Burin e situa-se nas proximidades de Nablus. Policiais palestinos disseram que tiros foram disparados para o alto quando soldados israelenses chegaram ao local. A polícia e o Exército de Israel não se pronunciaram sobre o incidente. O assentamentos judaico mais próximo de Burin é Yitzhar, onde um colono foi preso este mês sob suspeita de planejar um disparo de foguete contra Burin.

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