Israel aprova libertação de 256 prisioneiros palestinos

Militante da FPLP responsável pelo assassinato do ministro israelense Rehavam Zeevi está entre na lista

Agência Estado e Associated Press,

17 Julho 2007 | 19h45

O gabinete israelense de ministros aprovou nesta terça-feira, 17, uma lista de 256 prisioneiros palestinos que deverão ser libertados nesta sexta-feira, 120, num gesto de apoio ao presidente palestino, Mahmoud Abbas. A libertação, entretanto, enfrenta fortes críticas tanto de israelenses como de palestinos. Muitos dos 256 são membros do movimento Fatah, de Abbas, que está envolvido em uma difícil luta de poder com o grupo islâmico Hamas. Entre os palestinos da lista, entretanto, há acusados de terrormismo, como Abdel Rahim Maloyh, segundo no comando da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), grupo que em 2001 esteve envolvido no assassinato do ministro israelense Rehavam Zeevi. Rahim Maloyh, que tem cerca de 60 anos, foi preso em 2003 e seu estado de saúde aparentemente não é bom. Ele é considerado próximo de Abbas e poderia se converter em um mediador no conflito com o Hamas. Mahmoud Abbas tem se recusado a falar com o Hamas desde que o grupo tomou o poder da Faixa de Gaza, em meados do mês passado, deixando para o presidente palestino apenas o controle da Cisjordânia. A libertação dos prisioneiros palestinos foi aprovada nesta terça-feira por 7 votos a 2 pelo gabinete de ministros, de acordo com David Baker, funcionário do escritório do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. As autoridades israelenses informaram que 85% dos prisioneiros que serão libertados na sexta-feira pertencem ao Fatah, e outros são de grupos menores como a FPLP. Nenhum é do Hamas, entretanto. O anúncio da libertação dos prisioneiros ocorre um dia após um encontro entre Abbas e Olmert. No mês passado, no Egito, Israel já havia concordado em libertar cerca de 250 prisioneiros, mas somente nesta terça divulgou a lista definitiva com os nomes. Polêmica Olmert disse que nenhum dos 256, incluindo seis mulheres, são pessoas diretamente envolvidas com ataques contra israelenses. No entanto, grupos israelenses ligados às vítimas do terrorismo esforçam-se para evitar que seja concretizada a libertação dos presos palestinos. O grupo Almagor, que representa famílias de vítimas de atentados terroristas, já anunciou que vai recorrer à Suprema Corte para deter a liberação. Em sua página na Internet, o grupo afirma que desde o ano 2000 nada menos do que 179 israelenses foram mortos por palestinos liberados da cadeia por meio de acordos. Não obstante, apelos contra libertações previamente acordadas de prisioneiros têm tido pouco efeito. Já o ministro da Segurança Pública, Avi Dichter, aprovou a medida. "Trata-se de uma medida para fortalecer o regime de Abbas", disse. O negociador palestino Saeb Erekat foi cuidadoso ao comentar a medida aprovada pelos ministros israelenses. Ele disse que a liberdade de qualquer palestino é bem vinda, mas exortou Israel a libertar outros prisioneiros - são cerca de 10.500 os palestinos recolhidos nas prisões israelenses. Já o ministro palestino dos assuntos prisionais, Ashraf al-Ajrami, reclamou que Israel insiste em libertar somente aqueles com sentenças curtas. "Queremos que libertem aqueles com sentenças longas", afirmou o ministro.

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