Israel ataca Cidade de Gaza em meio a esforços por trégua

Tanques e artilharia atacam sul e centro da cidade apesar de sinais de progressos por um acordo de cessar-fogo

Agências internacionais,

15 de janeiro de 2009 | 07h51

Tanques e artilharia israelenses atacaram a Cidade de Gaza nesta quinta-feira, 15, na investida mais pesada em quase três semanas de combates, apesar de alguns sinais de progresso nos esforços internacionais para um cessar-fogo. Imagens mostraram ataques constantes da artilharia por várias horas. Disparos foram feitos em áreas centrais e tiros também ecoavam em áreas residenciais da cidade. A maioria dos combates se concentrava no bairro de Tel al-Hawa, onde alguns moradores fugiam a pé e outros permaneciam em abrigos precários em meio ao ataque noturno.   Veja também: Número de mortos em Gaza já passa de mil  Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos   Veja imagens de Gaza após os ataques      Forças israelenses cercaram a cidade de 500 mil habitantes por vários dias. Tanques chegaram a fazer incursões em direção ao centro da cidade para testar a resistência do Hamas e de outros grupos militantes, mas haviam evitado um ataque em larga escala nessa área densamente povoada. O número de palestinos mortos na ofensiva subiu para pelo menos 1.024, segundo o Ministério da Saúde em Gaza, dirigido pelo Hamas. Um grupo palestino de defesa dos direitos humanos disse que 670 dos mortos eram civis. Treze israelenses foram mortos - 10 soldados e três civis atingidos por foguetes disparados pelo Hamas.   Enquanto o número de mortos aumentava, os esforços por um cessar-fogo para pôr fim à ofensiva iniciada em 27 de dezembro eram intensificados. Um enviado israelense deve se reunir com mediadores egípcios no Cairo na quinta-feira para discutir uma proposta de trégua feita pelo Egito. O Exército Israelense não está disposto a fazer declarações sobre seus desdobramentos, por conta disso ainda não se sabe se a intensificação da ofensiva assinala uma nova fase na devastadora campanha israelense contra o Hamas.   O Hamas estaria próximo de aceitar a proposta de cessar-fogo do Egito, mas, segundo integrantes do grupo no Cairo, o plano ainda precisa de ajustes e há indícios de que líderes da linha dura da facção estejam resistindo a aceitar uma trégua. Em Israel, há também divergências. O premiê, Ehud Olmert, defende a continuação da ofensiva, enquanto o ministro da Defesa, Ehud Barak, e chanceler, Tzipi Livni, dizem que é melhor aceitar uma trégua antes que comecem a ocorrer mais baixas no lado israelense.   Diferentes fontes chegaram a confirmar e negar que o Hamas tivesse concordado em suspender os ataques com foguetes contra Israel, que ainda não aceitou suspender a ofensiva em Gaza, iniciada no dia 27. As divisões no Hamas são claras. Analistas dizem que o braço militar do grupo estaria atuando com grande autonomia. A organização exige que os Israel suspenda os ataques, retirem as tropas e levantem o bloqueio ao território. Israel, por seu lado, exige que o Hamas pare de lançar foguetes contra o sul do país e pede garantias à comunidade internacional e aos egípcios de que o contrabando de armas pelos túneis na fronteira com Egito acabará. No Cairo, a expectativa é de que uma trégua - ainda que provisória e com vigência de dez dias - seja alcançada até o fim de semana.   A incursão no bairro de Tel al-Hawa e o ataque com tanques no centro da Cidade de Gaza surgiram enquanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está para chegar na região para reuniões com líderes israelenses e palestinos. Ban esteve antes no Egito, país que trabalha separadamente com Israel e o Hamas para alcançar um cessar-fogo duradouro.   Operações militares   O Exército de Israel atacou cerca de 70 alvos em Gaza e milicianos palestinos responderam com o lançamento de pelo menos 12 foguetes contra território israelense, indicaram fontes militares. Nos ataques, vários palestinos morreram e, embora não se saiba ainda dados oficiais sobre o número correto de vítimas, a imprensa estima que pode chegar a dezenas, tanto devido a ataques aéreos como terrestres. Entre os alvos atacados pelas Forças Armadas de Israel se encontram 14 comandos do Hamas e uma mesquita na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, que seria usada como armazém bélico. Também foram alvo de bombardeios israelenses outras 14 plataformas de lançamento de foguetes, cinco armazéns de armas em casas de membros do Hamas e um túnel situado sob a residência de outro militante do grupo islâmico, conforme explicou um porta-voz militar israelense.   Milhares de residentes de Tel al-Hawa fugiram de suas casas vestindo pijamas, alguns com familiares em cadeiras de rodas, outros paravam carros e ambulâncias suplicando por alguém que os levassem até um dos refúgios da ONU ou casas de parentes.   (Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo)

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