Israel ataca e número de mortos em Gaza sobe para 271

Ofensiva israelense contra o Hamas continuou durante a madrugada e há pelo menos 900 palestinos feridos

Agências internacionais,

28 de dezembro de 2008 | 06h55

Pelo menos 271 palestinos morreram e 900 ficaram feridos durante os ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza. Os ataques começaram no sábado, 27, e continuaram na madrugada deste domingo, 28. Médicos palestinos afirmaram que ao menos 20 ataques foram feitos no começo deste domingo. Equipes de socorro ainda trabalham para resgatar sobreviventes presos sob os escombros e espera-se que o número de vítimas aumente nas próximas horas.   Veja também: ONU pede cessar fogo imediato de Israel na Faixa de Gaza Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Ofensiva israelense deve sepultar esforço de paz Hamas pede nova Intifada contra Israel após ataques Itamaraty condena 'reação desproporcional' de Israel Veja imagens de Gaza após os ataques       Na última ofensiva israelense - durante a madrugada do domingo - cerca de 65 palestinos morreram. Forças Aéreas israelenses afirmam estar atacando sedes do Hamás, fábricas e mesquitas, segundo informações do responsável pelo serviço de emergências de Gaza, Moawiya Hasanein.   Neste domingo, aviões de combate israelenses desfecharam um ataque que, de acordo com testemunhas, atingiu um caminhão de combustível que se deslocava na periferia da cidade de Rafah, próximo à fronteira egípcia. Israel afirmou ainda que atacou uma mesquita na cidade de Gaza neste sábado porque o local era usado para "atividades terroristas".   Um porta-voz militar israelense disse que Israel procurou evitar os ataques contra instituições religiosas, mas afirmou que "os responsáveis por agressões contra Israel não encontrarão refúgio em lugar algum". Ele afirmou que a mesquita bombardeada encontra-se no distrito de Rimal. O porta-voz afirmou ainda que foguetes palestinos atingiram casas de oração, e uma sinagoga foi danificada no sábado.   A TV mostrou vários prédios destruídos e a revolta da população, além de cadáveres com o uniforme do Hamas, que controla Gaza. O grupo islâmico já anunciou que resistirá "até a última gota de sangue", cujo alerta coincidiu com a primeira informação de Israel sobre o ataque, iniciado por volta das 11h30 locais (8h30 em Brasília).   O Ministério da Saúde da Autoridade Nacional Palestina (ANP), na Cisjordânia, lançou uma chamada para que a população doe sangue, que será transferido, junto com remédios e ambulâncias, às áreas atingidas.   Segundo o jornal israelense Haaretz, a maioria dos mortos é formada por militantes do Hamas. Ainda de acordo com a publicação, o ataque, realizado com 60 caças F-16, teria acertado 95% dos alvos.   Estes bombardeios aéreos são os mais intensos que Israel lançou contra Gaza nas últimas quatro décadas, e podem indicar a iminência de uma operação terrestre. Autoridades de segurança de Israel vêm mencionando essa possibilidade há alguns dias.   Pânico nas ruas   Alguns dos mísseis israelenses caíram sobre áreas densamente povoadas, provocando pânico pelas ruas. Entre as áreas atingidas, está o porto da Cidade de Gaza.   Crianças fugiram apavoradas com as explosões seguidas de fogo e nuvens pretas. Corpos de policiais palestinos foram alinhados em uma rua movimentada da cidade.   Como resposta, militantes do Hamas dispararam foguetes, matando uma civil israelense e ferindo quatro outras pessoas em Negev.   Pouco depois do ataque, o Egito abriu a passagem fronteiriça de Rafah para permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada de feridos.   Histórico   Israel deixou Gaza em 2005 após 38 anos de ocupação, mas a retirada não melhorou a relação do país com os palestinos no território como as autoridades israelenses esperavam. Ao invés disso, a retirada foi sucedida por aumento nos ataques de militantes contra comunidades na fronteira com Israel, provocando resposta do exército israelense.   O último ataque de Israel, ocorrido entre o final de fevereiro e o início de março deste ano, levou ambos lados a propor um cessar-fogo, que durou seis meses e começou a ruir em novembro.   Com 200 ataques de morteiros e mísseis contra a fronteira israelense desde que o cessar-fogo acabou, na semana passada, e 3 mil desde o início do ano, a pressão cresceu em Israel para uma ação militar.   Os líderes israelenses fizeram várias ameaças nos últimos dias e consideram o Hamas responsável pelo fracasso da trégua. Apesar da crescente tensão, os palestinos não esperavam um ataque até pelo menos domingo. A expectativa era de que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, não autorizasse nenhuma operação nesta semana.   Segundo a imprensa israelense, o governo daria tempo às autoridades egípcias de realizar uma última tentativa de mediação entre Israel e o grupo palestino Hamas. No começo da semana, o grupo islâmico disse que Israel iria abrir os portões do inferno caso realizasse ataques.

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