Israel atacou indiscriminadamente civis libaneses, acusa HRW

Declaração é resultado de pesquisa da entidade sobre os mortos no conflito contra o Hezbollah, em 2006

Agência Estado e Associated Press,

06 de setembro de 2007 | 09h48

Em sua mais dura acusação contra Israel desde a guerra travada entre julho e agosto do ano passado com o Hezbollah, a organização Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta quinta-feira, 6, que a maioria dos civis libaneses mortos e feridos no conflito foram vítimas de "ataques aéreos israelenses indiscriminados".  O grupo de defesa dos direitos humanos assegura que não há fundamentação para a alegação israelense de que haveria tantas vítimas civis porque o grupo guerrilheiro pró-iraniano Hezbollah as teria usado como escudos humanos. Israel alega ter bombardeado áreas civis para atingir lançadores de foguetes supostamente instalados pelo grupo guerrilheiro nessas áreas. Entretanto, segundo o documento apresentado nesta quinta, o Hezbollah promoveu a maioria de suas ações a partir de áreas distantes de civis e, apesar de os guerrilheiros em alguns casos terem se dispersado entre os civis, não havia indícios de que eles os teriam usado como escudos humanos. Mais de mil libaneses, civis em sua maioria, morreram em 34 dias de conflito, iniciado depois de o Hezbollah ter capturado dois militares israelenses na fronteira com o Líbano. Os soldados continuam nas mãos do grupo. Durante a guerra, aviões israelenses bombardearam a infra-estrutura do Líbano, inclusive pontes, o aeroporto de Beirute e um bairro da capital libanesa apontado como bastião do Hezbollah, além de outros alvos em diversas partes do país vizinho. Guerra O Hezbollah, por sua vez, disparou mais de 4.000 foguetes rústicos na direção de Israel, matando um total de 119 soldados e 40 civis israelenses. Ao apresentar as descobertas do grupo em uma entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira em Jerusalém, o diretor-executivo do HRW, Kenneth Roth, disse que houve apenas "casos raros" nos quais o Hezbollah operou a partir de áreas civis. "Pelo contrário: uma vez iniciada a guerra, a maior parte dos componentes políticos e militares do Hezbollah retirou-se dos povoados", afirmou. "Na verdade, descobrimos que a maior parte das ações do Hezbollah ocorreu nos vales e colinas nos arredores das cidades", prosseguiu Roth. Mark Regev, porta-voz da chancelaria israelense, rejeitou as descobertas do Human Rights Watch. "O Hezbollah adotou a estratégia deliberada de usar a população civil como escudo", insistiu. Regev acusou ainda o Hezbollah de ter "violado a primeira regra fundamental de guerra ao explorar deliberadamente a população civil do Líbano como escudo humano". O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, recusou-se a comentar o assunto. Perigo No mês passado, o HRW teve de cancelar uma entrevista coletiva similar em Beirute por causa da ameaça de protestos por parte de simpatizantes do Hezbollah. O documento também acusava o grupo guerrilheiro ter aberto fogo indiscriminadamente contra áreas civis de Israel. O HRW revelou ter investigado 94 casos de ataques israelenses "para apurar as circunstâncias das mortes de 510 civis e de 51 guerrilheiros", quase a metade das vítimas libanesas do conflito. O grupo esclarece que Israel alertou aos civis que as regiões seriam atacadas e em um caso deu 48 horas para que a população saísse, mas depois bombardeou tanto alvos militares e quanto civis, diz o documento. Qualquer deslocamento de veículos ou de pessoas, "fosse para comprar pão ou ir de uma casa a outra, podia resultar num mortífero ataque israelense", denuncia o relatório. Ainda segundo o HRW, Israel bombardeou carros com civis em fuga. O Exército de Israel assegura que seus soldados "todas as vezes" diferenciaram civis de combatentes e diz que as acusações "não têm fundamento". Roth disse ainda que, como os guerrilheiros do Hezbollah não usavam farda, era difícil diferenciá-los dos civis, mas lembrou que as leis de guerra determinam que as pessoas devem ser tratadas como civis em caso de dúvida.

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