Israel avança sobre Gaza em dia mais sangrento da ofensiva

Premiê Ehud Olmert diz que Exército está próximo de atingir seus objetivos e aponta para 3.ª fase do conflito

11 de janeiro de 2009 | 19h47

O Exército de Israel aumentou neste domingo, 11, seus bombardeios aéreos e de unidades de artilharia em um dos dias mais sangrentos de sua ofensiva militar na Faixa de Gaza, onde o número de mortos aumentou para 901 e o de feridos para 3.695.   Veja também: Guerra de Gaza custa US$ 130 milhões aos cofres de Israel Ofensiva deve continuar até atingir objetivo, diz Olmert Embaixador brasileiro no Egito fala da negociação entre Hamas e Egito  Correspondente do 'Estado' fala sobre o conflito  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       No 16.º dia da operação, Israel lançou suas forças de reserva contra o território palestino, informou o porta-voz do exército, o general de brigada Avi Benayahu.   Segundo o chefe do serviço de emergências em Gaza, Muawiya Hassanein, 38 pessoas morreram e pelo menos 80 ficaram feridas por causa dos ataques das forças israelenses neste domingo. Hassanein afirmou que foi um dos dias "mais sangrentos" em 16 dias de ofensiva israelense.   O bairro de Sheikh Aylin, na periferia da cidade de Gaza, foi cenário esta manhã de um encarniçado combate terrestre, quando milicianos do Hamas e de outros grupos armados enfrentaram soldados israelenses que penetraram na área. Após a retirada de soldados israelenses, que receberam o apoio de uma coluna de veículos blindados, as ambulâncias recolheram das ruas os corpos de 12 combatentes palestinos.   Seis civis morreram no bombardeio de suas casas em Beit Lahia, no norte de Gaza, e mais seis perderam a vida em diferentes ataques em outros pontos de Gaza. Testemunhas disseram que entre as vítimas do bairro de Tal el-Hawa há duas crianças. Outros cinco civis morreram após suas casas serem atingidas por tiros de tanques em Jabalia, no norte do território.   A aviação israelense começou suas operações com bombardeios aéreos contra cerca de 60 alvos, entre os quais estava uma mesquita da localidade de Rafah, no sul de Gaza, que segundo o Exército de Israel era usada pelos grupos armados como arsenal. A região foi novamente bombardeada durante a tarde para destruir túneis que ligam Gaza ao Egito e que são usados por grupos armados para o transporte de armas, munição e foguetes.   Também foi bombardeada a casa de Ahmed Yabri, chefe do braço armado do Hamas - as Brigadas de Ezedin al-Qassam -, que como os outros líderes do movimento islâmico passaram para a clandestinidade quando começou a ofensiva israelense. Outros alvos foram as sedes dos ministérios da Cultura e de Assuntos para as Mulheres, que acabaram destruídos.   Objetivos   O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ordenou na manhã de hoje que a ofensiva prosseguisse e afirmou que "se aproximam" os "objetivos" que seu país estabeleceu em Gaza. Olmert disse que foram "obtidas conquistas impressionantes na operação contra organizações terroristas", mas que "é necessário mais paciência, determinação e coragem" para alcançar a meta de "mudar a realidade de segurança no sul" de Israel.   "Não devemos colocar a perder no último minuto o esforço nacional sem precedentes que tornou possível restaurar o espírito de unidade do povo de Israel. Os israelenses, principalmente os do sul, devem ter paciência e vontade para isto", acrescentou.   O primeiro-ministro israelense fez esta afirmação em Jerusalém após altos comandantes militares citados pela imprensa pedirem ao Governo que decida entre negociar um cessar-fogo ou lançar a terceira fase da ofensiva com a mobilização de mais infantaria para reforçar as operações terrestres em Gaza.   Estes altos comandantes do Exército disseram que as forças israelenses que já entraram em Gaza não podem ficar eternamente no local à espera de uma decisão, pois se transformam em alvo estático para as milícias palestinas. "Eles não podem ficar de pé e esperar. Precisam se movimentar", explicou um oficial.   O pedido dos generais israelenses não caiu no esquecimento e deste modo emissoras de rádio locais transmitiam na noite de hoje o anúncio de um porta-voz militar de que o Exército tinha começado a mobilizar reservistas para dar início à terceira fase, que presumivelmente incluirá a entrada nos núcleos urbanos mais densamente povoados na busca de milicianos casa por casa.   Autoridades de defesa de Israel dizem estar preparadas para uma terceira fase da ofensiva. A primeira etapa foi o bombardeio aéreo e a segunda consistiu na entrada de tropas por terra, na tomada de áreas utilizadas para o disparo de foguetes contra Israel e na tomada da Cidade de Gaza. Falando em condição de anonimato, os oficiais afirmaram que o exército israelense possui um plano para uma quarta fase da ofensiva - a total reocupação de Gaza e a derrubada do Hamas.   Delegação européia   Uma delegação de parlamentares europeus entrou neste domingo na Faixa de Gaza, vinda do Egito, para verificar o quão mortífera está sendo a operação israelense contra o Hamas no território palestino, informou a chefe da missão.   Os oito parlamentares europeus entraram "pelo cruzamento de Rafah", entre o Egito e a Faixa de Gaza, disse Luisa Morgantini, vice-presidente do Parlamento Europeu. Planejam ficar na Faixa de Gaza até a terça-feira, quando regressarão e "irão reportar a situação" ao Parlamento Europeu em Estrasburgo (França), disse Morgantini, que é italiana.   A delegação representa vários grupos políticos e nações da União Europeia. Ela ficará na sede da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNRWA, na sigla em inglês) na cidade de Gaza.            

Tudo o que sabemos sobre:
Faixa de Gaza

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.