Israel cometeu crimes de guerra em Gaza, diz relator da ONU

'Bloqueio ilegal de alimentos, remédios e combustível pode ter afetado população por toda vida', afirma

Efe,

22 de janeiro de 2009 | 16h37

O relator especial da ONU sobre a situação de Direitos Humanos em Gaza, Richard Falk, afirmou nesta quinta-feira, 22, que Israel cometeu crimes de guerra em sua última ofensiva contra o território palestino. "A evidência da violação da lei humanitária é tão clara que não tenho nenhuma dúvida da necessidade de uma investigação independente que demonstre que Israel cometeu crimes de guerra", assegurou Falk em entrevista coletiva.   O funcionário da ONU afirmou que Israel cometeu crimes de guerra e contra a humanidade, antes inclusive do último conflito, ao aplicar "um bloqueio de 18 meses contra a Faixa, um bloqueio ilegal de alimentos, remédios e combustível que pode ter afetado a população de Gaza por toda uma vida."     Veja também: Ofensiva aceleraria libertação de Shalit, diz Israel ONU vê 'destruição chocante' em Gaza Hamas passa a falar em negociação Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       Além disso, para o relator da ONU, que é judeu, os crimes de guerra se agravam pelo fato de Israel não ter permitido à população civil deixar o território antes de bombardeá-lo. "Não há relatos de uma população inteira ficar bloqueada em uma zona de guerra e sem a possibilidade de fugir e se transformar em refugiados", explicou.   Falk acrescentou que o crime é ainda mais grave, porque 70% da população de Gaza têm menos de 18 anos, "o que faz com que a guerra tenha sido livrada contra crianças". "Essas pessoas podem ficar afetadas para sempre, porque não somente sofreram por um ano e meio com o bloqueio, mas sofreram com os danos e o medo de uma guerra", indicou.   O relator da ONU descartou totalmente o argumento de Israel de que a ação iniciada no dia 27 de dezembro estava baseada na "autodefesa". "Este argumento não tem base legal e, além disso, o uso absolutamente desproporcional da força descarta totalmente o argumento da autodefesa", esclareceu.   Diante desta realidade, Falk expressou seu desejo e convicção de que Israel seja condenado por seus crimes. O funcionário disse que é necessária uma condenação explícita do Conselho de Direitos Humanos da ONU, e defendeu o início de julgamento internacional. Os 22 dias da ofensiva israelense contra Gaza deixaram 1.300 palestinos mortos e mais de 5.000 feridos.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelGazaHamas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.