Israel completa 60 anos com festa e sob tensão

Fogos de artifício e uma fanfarramilitar marcaram na quarta-feira o início das celebrações pelos60 anos da criação do Estado de Israel, um país que até hojenão conheceu a paz, embora seus líderes prometam buscar umamelhor convivência com seus velhos inimigos. Exibindo indicadores econômicos e democráticos raros noOriente Médio, Israel só recentemente retomou as negociaçõesque podem levar a uma co-existência com os palestinos -- que, aexemplo de outros árabes, consideram que a criação do Estadojudeu foi uma injustiça a ser reparada. "Nosso conflito de fato é longo", disse o primeiro-ministroEhud Olmert em um discurso em homenagem aos soldados caídos,antes que à meia-noite começassem as festividades do Dia daIndependência. "Entretanto, é a paz, não a guerra, que pedimose a que aspiramos." As festividades serão coroadas na semana que vem com umavisita do principal aliado de Israel, o presidente dos EUA,George W. Bush. Mas todo o evento tem sido ofuscado porrecriminações mútuas e por uma investigação policial que podeafetar o futuro político de Olmert. Além disso, o país, supostamente dono do único arsenalnuclear da região, vive sob a preocupação em relação aoprograma nuclear do arqui-inimigo Irã (que nega a intenção dedesenvolver armas atômicas) e do apoio de Teerã a gruposislâmicos do vizinho Líbano e da Faixa de Gaza. E há também preocupações domésticas. A hipótese de devolver aos palestinos os territóriosocupados desde 1967 divide a opinião pública, e há uma disputaentre judeus laicos e religiosos para definir a Constituição dopaís. Além disso, minoria árabe se diz discriminada, e aspessoas economicamente menos privilegiadas se queixam dedescaso do governo. Mas a presidente do Parlamento, Dalia Itzik, disse emdiscurso diante de autoridades e dignitários estrangeiros emJerusalém que "Israel é uma extraordinária história desucesso". "Podemos nos orgulhar de quase toda a obra que foi feitaneste nosso lar nacional, quase tudo. Transformamos um sonho emrealidade", disse ela na passarela do desfile, batizada emhomenagem a Theodor Herzl, líder sionista que no século 19anteviu a criação de um Estado judeu na Palestina. Este nasceu em parte com base na reivindicação históricados judeus sobre as terras bíblicas, e em parte para queservisse de refúgio aos sobreviventes das perseguiçõesanti-semitas na Europa, que culminaram no Holocausto nazista. Israel declarou sua independência em 14 de maio de 1948,horas antes do fim do mandato da ONU sobre a então Palestinabritânica. Mas o Dia da Independência será celebrado naquinta-feira, dia 8, por causa do calendário judaico. Para os palestinos, cujos líderes na época rejeitaram aproposta da ONU para dividir o território em dois Estados, umárabe e outro judeu, o 15 de maio ficou conhecido como "nakba",ou "catástrofe". Centenas de milhares de palestinos ainda seconsideram refugiados de 1948.

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