Israel concorda em libertar mais presos palestinos em agosto

Governo israelense confirma acordo após reunião de Olmert e Abbas; detidos devem ser soltos no dia 25

Agências internacionais,

06 de agosto de 2008 | 10h37

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, definiu nesta quarta-feira, 6, em reunião com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, libertar um grupo de presos palestinos em 25 de agosto, como "gesto de boa vontade", segundo afirmaram porta-vozes do governo. Segundo o negociador palestino Saeb Erekat, entre 120 e 150 prisioneiros serão soltos, embora ele tenha dito que o número pode ser maior.   O porta-voz Mark Regev precisou que o número e a identidade dos presos que recuperarão a liberdade "serão decididos em posteriores encontros". Regev não confirmou se entre os libertados estará o líder palestino Marwan Barghouti, que cumpre prisão perpetua por envolvimento de atentados em Israel e cuja soltura foi pedida por Abbas. Barghouti é considerado como o futuro substituto de Abbas à frente do Fatah, principal movimento da Organização para a Libertação da Palestina (OLP)   Olmert e Abbas se reuniram nesta quarta, na residência do premiê, para retomar as negociações sobre o processo de paz. O encontro foi o primeiro desde que o chefe do governo israelense anunciou, na semana passada, que não concorrerá nas eleições gerais do seu partido e que abandonará o cargo após a votação, prevista para setembro.   A renúncia de Olmert como premiê israelense, motivada por escândalos de corrupção, foi considerada para muitos o fim do processo de paz iniciado em novembro de 2007 com a mediação dos Estados Unidos na conferência de Annapolis. Mesmo depois da retomada do diálogo entre Olmert e Abbas, a autoridade do presidente palestino e líder do Fatah foi minada pela onda de violência que atingiu a Faixa de Gaza, dominada pelos rivais do Hamas, dificultando ainda mais a possibilidade de criação de um Estado palestino.   A movimentação política provocada pela renúncia poderá tornar mais difícil para Olmert fechar acordos de paz, tanto com os palestinos quanto com a Síria, pactos que líderes políticos israelenses muito mais fortes não conseguiram fechar durante décadas. Apesar do anúncio, o premiê reafirmou que trabalhará pela paz "enquanto eu estiver no cargo," e afirmou que as conversações de paz com os palestinos e a Síria estão "mais próximas do que nunca" em direção ao entendimento.   Para muitos, o primeiro-ministro, abalado por escândalos políticos, iniciou o diálogo sobre a criação do Estado palestino, além do impasse sobre as Colinas de Golan disputadas com a Síria e a troca de prisioneiros com os libaneses do Hezbollah como uma manobra para desviar a atenção das acusações de corrupção que ameaçavam o seu mandato.   Matéria atualizada às 12h10.

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