Israel condiciona abertura de fronteiras à libertação de soldado

Premiê diz que se Shalit não for solto passagens de Gaza permanecerão abertas apenas para ajuda humanitária

Agências internacionais,

28 de janeiro de 2009 | 16h14

Em um encontro com o enviado americano ao Oriente Médio, George Mitchell, nesta quarta-feira, 28, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou que a abertura das fronteiras de Gaza está relacionada à libertação do soldado israelense Gilad Shalit. Segundo o jornal Jerusalem Post, Olmert disse que enquanto uma solução para o caso de Shalit - capturado por aliados do Hamas em junho de 2006 - não for atingida, as fronteiras continuarão abertas apenas para a passagem de ajuda humanitária.   Em sua primeira visita à região, Mitchell afirmou em Jerusalém que um cessar-fogo permanente deve ser baseado no fim do tráfico de armas promovido pelo Hamas e na reabertura das fronteiras de Gaza. O ex-senador designado pelo presidente americano Barack Obama para tentar solucionar o conflito em Gaza reiterou seu pedido por uma trégua consolidada e afirmou que o cessar-fogo é de crítica importância.   Veja também: Israel bombardeia túneis na fronteira Hamas nega querer controlar fundos para reconstruir Gaza Linha do tempo dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza     As passagens são parte vital para a economia de Gaza e foram fechadas desde que o grupo islâmico chegou ao poder no território palestino. O Hamas pede sua abertura permanente para um cessar-fogo duradouro com Israel, enquanto o Estado judeu quer o fim dos ataques de foguetes e garantias de que o grupo não consiga contrabandear armas do Egito para Gaza.   Horas antes de Mitchell chegar do Egito, onde cumpriu a primeira etapa de seu giro pela região com a missão encomendada por Obama, de escutar todas as partes, a força aérea israelense bombardeou túneis usados para o contrabando na fronteira de Gaza com o Egito. Israel afirmou que a medida foi represália à morte de um soldado na terça-feira, cuja patrulha foi atacada por um explosivo na região da fronteira.   Depois de dez dias de relativa calma após as tréguas declaradas no conflito em Gaza por ambos os lados, a violência voltou a ganhar força na terça-feira depois que um soldado israelense foi morto e as tropas promoveram incursões en Gaza, matando um palestino e ferindo outro. Os incidentes representam os primeiros grandes confrontos entre o Hamas e os militares desde 18 de janeiro. Os episódios enfatizaram a urgência da missão de Mitchell. O enviado de Obama se reuniu nesta quarta com o presidente de Israel, Shimon Peres e Olmert. Na quinta-feira, ele deve se encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na Cisjordânia. O americano não vai se reunir com membros do Hamas.   No Cairo, depois de conversar com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, Mitchell afirmou que era de "crítica importância que o cessar-fogo fosse estendido e consolidado". Ele indicou ainda que planeja viajar novamente para a região "num futuro muito próximo para continuar esse esforço", sugerindo que estas primeiras discussões são preliminares.   Nesta quarta-feira, o Exército israelense afirmou que três túneis na fronteira de Gaza com o Egito foram bombardeados nos esforços em prevenir que o Hamas consiga se rearmar com o contrabando de armas, levando pânico aos moradores de Rafah. O Exército atribui ao Hamas, que governa Gaza desde junho 2007, "a responsabilidade pela manutenção da calma nas localidades ao sul de Israel", e adverte que "responderá duramente a qualquer tentativa" que possa alterar a situação de cessar-fogo. Trata-se dos primeiros bombardeios nesse corredor desde que Israel e Hamas fizeram, separadamente, anúncios de cessar-fogo, cuja negociação, mediada pelo Egito, tinha objetivo de consolidar uma trégua de duração entre um ano e um ano e meio.   Temendo uma nova espiral de violência, Ehud Barak adiou uma viagem que faria aos Estados Unidos, conforme informou o jornal Haaretz, e, no início da tarde, reuniu-se com o primeiro-ministro, Ehud Olmert, e a ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, para avaliar a situação.  

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