Israel contesta negociações entre Irã e potências

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta terça-feira que só irá se convencer da inexistência de um programa iraniano de armas nucleares se Teerã abandonar o enriquecimento de urânio, se desfazer do que já produziu e destruir os meios para a produção de mais material.

DOUGLAS HAMILTON, REUTERS

29 Maio 2012 | 20h04

"Esse é o verdadeiro teste. Sem isso não há nada", disse ele numa conferência sobre assuntos estratégicos em Tel Aviv.

Ele afirmou que as seis potências mundiais que encerraram na semana passada uma segunda rodada de negociações com o Irã precisam adotar uma postura mais rígida. Uma nova rodada de discussões foi marcada para os dias 18 e 19 de junho em Moscou.

"Eles não só precisam fortalecer as sanções, eles precisam também fortalecer suas exigências com relação ao Irã, pelas quais impuseram as sanções", disse o premiê direitista.

Netanyahu reiterou que, além de suspender totalmente o enriquecimento, o Irã precisa remover do seu território todo o material já enriquecido, além de desmantelar a instalação nuclear fortificada nos arredores da cidade de Qom.

"Só um compromisso iraniano claro de cumprir essas três exigências e uma verificação explícita de que isso foi feito poderá parar o programa nuclear do Irã. Essa precisa ser a meta das negociações", afirmou.

O Irã insiste no caráter pacífico do seu programa nuclear e diz que não abrirá mão de enriquecer urânio até um grau de pureza compatível com usos civis. Para o uso em armas nucleares, é preciso refinar o urânio até um percentual de pureza superior a 90 por cento.

Muitos analistas e diplomatas dizem que não poderá haver acordo entre o Irã e as potências mundiais num futuro próximo se não houver concessões mútuas. As negociações envolvem Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha.

De acordo com uma fórmula em cogitação, o Irã limitaria o nível de pureza do seu urânio enriquecido, e aceitaria inspeções mais intrusivas da Organização das Nações Unidas, em troca de um alívio nas sanções internacionais que atualmente afetam o país.

Antes das declarações de Netanyahu, seu vice, Moshe Yaalon, disse que as negociações de Bagdá não tiveram resultados concretos além de permitir que "o Irã ganhe mais tempo".

"(Não houve) nenhum resultado significativo exceto os iranianos ganharem mais umas três semanas para manter seu projeto nuclear, até a próxima reunião em Moscou", disse ele à Rádio do Exército.

"Para meu pesar, não vejo nenhum senso de urgência, e talvez seja até do interesse de alguns atores no Ocidente esticar o tempo, o que certamente se encaixaria com o interesse iraniano."

Israel vê o programa nuclear iraniano como uma ameaça à sua própria existência, e não descarta uma ação militar contra as instalações islâmicas da República Islâmica.

(Reportagem adicional de Dan Williams e Ari Rabinovitch)

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