Israel: cooperação em investigação sobre Gaza em 'improvável'

Oficial do governo diz que ONU já foi comunicada sobre posição israelense em relação aos abusos em ofensiva

Agência Estado e Associated Press,

15 de abril de 2009 | 10h54

É "muito improvável" que o governo israelense coopere com uma investigação internacional por meio da qual a Organização das Nações Unidas (ONU) pretende apurar se Israel e o grupo islâmico Hamas cometeram crimes de guerra durante a recente ofensiva do Estado judeu contra Gaza, segundo afirmou um oficial do governo nesta quarta-feira, 15. O Hamas, por sua vez, informou que pretende cooperar com os investigadores da ONU.

 

O grupo Human Rights Watch (HRW), sediado em Nova York, vinha conclamando os dois lados a colaborarem. A entidade suspeita que tanto Israel quanto o Hamas tenham cometido crimes de guerra durante o conflito de três semanas iniciado no fim de 2008 e encerrado em janeiro deste ano. A investigação é chefiada por Richard Goldstone, ex-promotor-chefe para crimes de guerra na Iugoslávia e em Ruanda. Ele foi indicado este mês pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para conduzir o inquérito.

 

A fonte israelense informou que Tel-Aviv enviou sua resposta à ONU na semana passada, mas conversou sob a condição de anonimato porque ainda não está claro se Goldstone já foi oficialmente informado. No mês passado, o grupo Centro Palestino de Direitos Humanos divulgou a identidade de 1.417 palestinos mortos durante uma ofensiva militar israelense contra Gaza.

 

De acordo com a organização, 926 dos 1.417 mortos eram civis. Estimativas anteriores sugeriam que pelo menos a metade dos mortos nas ações militares israelenses era civil. Também morreram 236 milicianos e 255 integrantes das forças locais de segurança, segundo o levantamento. Dias depois, o Exército de Israel contestou as denúncias de que a maior parte dos mortos fosse composta por civis. Segundo as forças armadas israelenses, uma investigação determinou que 1.166 pessoas morreram em Gaza durante a ofensiva.

 

Ainda de acordo com o Exército de Israel, 709 militantes do Hamas morreram e o número de civis que perderam a vida seria de pouco menos de 300. O anúncio não esclareceu se as outras 162 pessoas mortas eram combatentes ou civis. O Centro Palestino de Direitos Humanos informou que investigou uma a uma todas as mortes de civis antes de divulgar os nomes das vítimas e publicou a lista na internet.

 

O Exército de Israel, por sua vez, não forneceu a lista dos mortos, mas assegura que as informações são baseadas em "fontes de inteligência" e afirma que os nomes das vítimas foram cuidadosamente pesquisados. O alto número de civis mortos no lado palestino desencadeou muitas críticas contra Israel por parte da comunidade internacional. Treze pessoas morreram no lado israelense, sendo dez militares e três civis.

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