Israel critica Fidel Castro por comparar tratamento de palestinos a nazismo

Líder cubano criticou postura do Estado judeu com outros povos do Oriente Médio

Reuters

14 de junho de 2010 | 13h56

GENEBRA - Israel criticou comentários feitos nesta segunda-feira, 14, pelo ex-presidente cubano Fidel Castro, que comparou o tratamento dado aos palestinos ao extermínio nazista de judeus, um exemplo da retórica incendiária num debate de um organismo da ONU.

A fala de Fidel foi divulgada pela missão diplomática de Cuba em Genebra durante debate entre as 47 nações do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre a ação israelense nos territórios ocupados.

"O ódio do Estado de Israel contra os palestinos é tal que eles não hesitariam em enviar um milhão e meio de homens, mulheres e crianças daquele país aos crematórios onde milhões de judeus de todas as idades foram exterminados pelos nazistas", disse o ex-líder cubano.

"Até parece que a suástica do Fuhrer (Adolf Hitler) é a bandeira de Israel hoje", declarou Fidel no último de uma série de artigos intitulados "Reflexões" na mídia estatal da ilha comunista. Seus comentários não foram citados no Conselho, mas diplomatas disseram que Cuba enviou seu conteúdo a outras missões estrangeiras em Genebra, além de jornalistas.

"Com esses comentários ultrajantes, Fidel Castro envergonha seus companheiros de longa data e os ideais que ele sempre alegou servir. Che Guevara deve estar se revirando na cova", disse Yigal Palmor, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em Jerusalém.

Israel há muito lamenta o tratamento do Conselho de Direitos Humanos, que acredita ser preconceituoso. Cuba é um membro do bloco de países em desenvolvimento do organismo, que blinda de críticas seus membros e amigos fora do conselho, como Irã e Sri Lanka, mas condena Israel com regularidade.

Em 2 de junho o conselho sediado em Genebra criticou como ultrajante a interceptação israelense de uma frota que levava ajuda humanitária a Gaza e a morte de nove ativistas a bordo de uma embarcação, votando para criar uma missão de investigação independente.

Israel criou sua própria comissão para averiguar o incidente com especialistas estrangeiros e rejeitou uma investigação separada da ONU. A inclusão de dois estrangeiros na equipe não foi aceita pela liderança palestina.

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