Israel declara oficialmente Gaza como 'território inimigo'

Gabinete israelense aprova classificação do Hamas como terroristas e pode cortar abastecimento da região

Agências internacionais,

19 de setembro de 2007 | 08h57

O gabinete de segurança de Israel declarou a Faixa de Gaza "território inimigo" depois de uma reunião realizada nesta quarta-feira,19, segundo informaram emissoras locais de rádio. O movimento islâmico Hamas, que controla a região desde a derrubada do grupo laico Fatah também foi classificado como organização terrorista pelo vizinho.   Veja também:  Palestino morre em incursão do exército israelense em Nablus   A decisão do Gabinete israelense, sugerida pelo ministro da Defesa do país, Ehud Barak, permitirá a Israel interromper o fornecimento de eletricidade, água e combustível ao território palestino litorâneo, controlado desde junho pelo grupo muçulmano. Além disso, os parentes de prisioneiros palestinos de Gaza detidos em prisões de Israel não poderão entrar no país para visitá-los e cidadãos árabes não entrarão no Estado judeu.   A declaração de "território inimigo" é a mais rigorosa medida adotada recentemente por Israel com o objetivo de conter disparos de foguetes rústicos contra seu território, já que incursões aéreas e terrestres contra Gaza com o mesmo objetivo não surtiram efeito.   A decisão acontece no mesmo dia em que um palestino foi morto durante uma incursão do Exército israelense em Nablus, na Cisjordânia.   O miliciano palestino foi morto nesta quarta-feira, no segundo dia de operações militares israelenses para capturar membros de uma célula do Hamas no campo de refugiados de Ein Beit Ilma. Ehud Barak disse que as operações e batidas na Cisjordânia ocupada "continuarão para evitar ataques palestinos".   Crise   O debate no Gabinete sobre a imposição de restrições dos serviços em Gaza começou na semana passada, por causa dos ataques de milicianos palestinos da região contra a população civil de localidades do sul de Israel.   Os palestinos argumentam que a Faixa de Gaza ainda está sob ocupação israelense, já que o Estado judaico controla suas fronteiras, espaço aéreo e águas costeiras. O Hamas ainda retirou nesta quarta a autorização cedida ao presidente da Autoridade Nacional Palestina(ANP), Mahmoud Abbas, para negociar a paz com Israel em nome dos territórios da Palestina.   Os islâmicos, que não reconhecem a legitimidade do Estado de Israel, confiaram esse poder ao líder do Fatah quando as duas organizações compartilhavam um governo de união nacional. A coalizão se desfez em junho, quando milicianos do Hamas tomaram o controle de Gaza após derrotar os organismos de segurança da ANP leais a Abbas, que destituiu o então primeiro-ministro, Ismail Haniyeh.   O ex-ministro do Interior da ANP Said Siyam, descartou a retomada do diálogo do Hamas com o Fatah, desmentindo a imprensa palestina, que tinha informado sobre a existência de conversas secretas para uma reconciliação entre os dois movimentos.   Abbas também se nega a restabeleceras relações com o Hamas, a menos que o grupo islâmico devolva Faixa de Gaza às forças de segurança da ANP, formadas por efetivos que, em sua grande maioria, são leais ao Fatah.   Estados Unidos   Abbas se reunirá na quinta-feira, em Ramala, com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que chegou nesta quarta-feira a Israel para uma visita de 24 horas.   Rice deve estreitar relações entre os dos países visando a conferência regional de paz, que o presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, convocou para novembro.   Abbas e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, resolveram neste mês intensificar seus contatos por meio de funcionários. O objetivo principal é redigir um documento que permita retomar as negociações de paz, estagnadas desde 2001, e apresentá-lo durante a conferência.

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